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sábado, 22 de março de 2014

Deusa (Francisco Miguel de Moura)




  
Era uma deusa humanamente bela,
de olhos molhados a deitarem luz,
sobre perdidos corações sem cores.
Desprendia paixões nos seus encantos.

Da carne, o cheiro, a tepidez, o orvalho
eram pingos da tarde... E a noite vinha.
Mas o brilho dos olhos tão intenso
iluminava  todos os caminhos.

E eu disse  – “tolo”!  –  à blusa desdobrada
à brisa, que assanhava as mentes frias,
cheia da graça dos recantos da alma.

De repente,  nas asas dos seus braços
levado vi-me e, pelos céus abertos,
caírem penas pelos meus pecados.

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