Pesquisar este blog

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Manoel Bomfim e o antilusitanismo (Adelto Gonçalves*)

                          
                                                                 I
             Por que ler (ou reler) Manoel Bomfim (1868-1932) quase um século depois? Porque, entre outras razões, esse médico, historiador, psicólogo e professor, nascido em Aracaju, foi um dos primeiros a pensar o Brasil. Por isso, ao reeditar pela primeira vez O Brasil na História: deturpação das tradições, degradação política, escrito em meados da década de 1920 e publicado em 1930, a Editora PUC-Minas, em parceria com a Editora Topbooks, presta um relevante serviço à História e à Cultura do País.
           

terça-feira, 22 de abril de 2014

Do Pici ao Quinze (Nilto Maciel)



(Casa onde viveu Rachel de Queiroz, no Pici)

Ganhei de Pedro Salgueiro livrinho (pocketbook) de capa originada de fotografia, cerca de 80 páginas, impresso em Fortaleza. Intitula-se Pici: dos velhos sítios à periferia. Não fosse o subtítulo (ausente na capa), o leitor de fora do Ceará jamais imaginaria Pici como nome de bairro. O povo da capital cearense, porém, sabe muito onde se situa essa parte da cidade. O entendedor de futebol terá outro motivo para falar dela: No Pici está localizado o estádio do Fortaleza Esporte Clube, o grande rival do Ceará Sporting Clube.


O anônimo (Tânia Du Bois)





“Passado o futuro: tantas máscaras / o que dizer de um mascarado sem máscara? /   ou de uma máscara (Real)?”  (Pedro Du Bois)
                       
Anônimo é aquele que não revela seu nome; dentro de suas características encontramos aquele que “faz o bem sem saber a quem”, e aquele que não enfrenta o sentimento, com medo de viver e usa a máscara para se esconder num mundo obscuro, sem perceber quando em determinado momento da sua vida se aproxima da verdade das pessoas.  Segundo Alberto da Cunha Melo, “Anônimos // Bem-aventurados os mitos, / em seu tranquilo anonimato, / que sequer se sabem anônimos, / como a moldura de um retrato...” .
                       

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Ilusão (Inocêncio de Melo Filho)




Inês viva
Inês morta
Transita na memória
Memória lusitana
E agora que te encontrei
Não sei mais
Se és viva ou morta
Minha Inês
Não sei mais se és sonho
Ou se fico acordado
Com os olhos postos em ti
Oh! minha Inês
Viva ou morta?

/////

domingo, 20 de abril de 2014

Morrer (Pedro Du Bois)






Na obviedade
esqueço a importância: sei
dos selvagens não contatados

a secularidade na datação
civilizada: aos selvagens restam
estações monitoradas por satélites

em estradas abertas
ao progresso o óbvio acompanha
a máquina: a mortandade acontece
antes do contato.


/////

sábado, 19 de abril de 2014

A morte (Teresinka Pereira)



 
Não falta nunca 
a morte!
Desnuda os reis
e põe manto de estrelas
nos pobres.
Mas aos gênios
que criaram
mundos em nossa
imaginação literária
os faz renascer
em melhor dimensão
de eternidade.
Vamos enxugar as lágrimas
Gabriel García Márquez
acaba de renascer!

///// 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Proust em ação (Franklin Jorge)



  
Proust, sempre arguto e perspicaz, observa que a arte, como valor espiritual, opõe-se ao utilitarismo da política, que se empenha em tirar vantagens de tudo. E, ao fazê-lo, nos ensina que um livro nunca pode nos contar aquilo que desejamos saber, mas tão-somente despertar em nós o desejo de saber.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Filete que aspira a ser rio (Enéas Athanázio)


O silêncio reinante a respeito de Sonetos de Bolso – Antologia Poética, organizada por Jarbas Júnior e João Carlos Taveira (Thesaurus Editora – Brasília – 2013), me leva a redigir estas notas, ainda que sem a pretensão de julgar o mérito dos poemas nela reunidos.
Trata-se de um belo livro, executado com esmero, em formato pequeno, tipo “pocket-book”, conforme sugere o próprio título. Reúne trabalhos de quinze sonetistas, todos ligados à cidade de Brasília, onde residem ou residiram. São eles: Anderson Braga Horta, Anderson de Araújo Horta, Antonio Miranda, Antonio Temóteo dos Anjos Sobrinho, Fernando Mendes Viana, Henriques do Cerro Azul, José Geraldo Pires de Mello, José Jeronymo Rivera, José Peixoto Júnior, Luiz Carlos de Oliveira Cerqueira, Márcio Catunda, Maria Braga Horta, Nilto Maciel, Romeu Jobim e Viriato Gaspar. Contém ainda excelentes notas explicativas introdutórias e abas de autoria dos organizadores. Segundo Taveira, a presença de uma única mulher se deve ao fato de que as poetas planaltinas não costumam se dedicar ao soneto.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Arte e atos poéticos de Regina Lyra (Rubenio Marcelo*)



(a essência do amor e outras percepções)



Após presentear-nos com Tempo de Encanto (Ed. Universitária - PB, 2004) – obra lançada, com sucesso, em várias partes do Brasil – a poeta Regina Lyra chega agora com o seu 5º livro: Atos em Arte.  E foi com desvelo pleno e natural frisson que lancei meu olhar sobre este belíssimo compêndio desta operária das palavras, esta afável artífice do verso, que sabe tão bem extrair da alquimia multiforme dos momentos a quinta-essência para o invólucro dos seus pensamentos.

terça-feira, 15 de abril de 2014

O fiador de palavras (Silvério da Costa)



 
Menos vivi do que fiei palavras é um livro de Nilto Maciel, uma espécie de relato (diário? Memórias?) que tem como característica principal refletir sobre o seu processo de criação, enquanto homem de Letras, mostrando o conflito entre seu ser e/ou não ser, no mundo da Literatura, embora, às vezes, se mostre tomado pela preguiça. Nilto Maciel revela labor diário de um escritor na consecução de sua obra, citando e analisando, inclusive, livros de alguns autores, passando-os pelo seu crivo. Trata-se, pois, de um volume de pequenos ensaios sobre os textos gestados no seu íntimo, e trabalhos alheios, escolhidos a dedo, numa linguagem que passa bem longe dos renitentes pruridos da esquizofrênica erudição que anda por aí, incorporando cenas do cotidiano, traços de personagens e enredos que refletem a existência daquilo que é ou não ‘arte da escrita’, ou seja, como Ariadne no labirinto de Minotauro, Nilto Maciel vai desfiando o seu novelo de sabedoria, sem fazer concessões a quem quer que seja.

O autor usa o despojamento que lhe é típico para falar, de forma ferina, e, às vezes, até demolidora, da criação literária, desafiando preconceitos e ferindo suscetibilidades, dentro daquele princípio do ‘doa a quem doer’, porque ele sabe, e bem, o que é construir e desconstruir padrões literários que acabam por valorizar ou prejudicar ‘a arte da escrita’, e a que se destina, podendo, inclusive, os autores em tela servir de inspiração para suas próprias composições, uma vez que, nos interregnos das leituras, ele se vale das ideias expressas no que lê, para melhorar as suas, porque vê a leitura como uma forma de recriação.

Não estou aqui referendando nada, mas levando ao conhecimento dos leitores um autor que tem personalidade e um discurso libertário que chega a beirar o catártico, deixando, também, patente o grande metalinguístico e crítico que é!

(Jornal Sul Brasil, Chapecó, SC, 23/janeiro/2014)

/////