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domingo, 1 de outubro de 2006

De conto e contistas (Nelson Hoffmann)



(...) Nilto Maciel dispensa comentários. Autor por demais conhecido, sua obra é extensa e a crítica é unânime em reconhecê-lo como um dos principais nomes das modernas letras brasileiras. Natural de Baturité, Ceará, Maciel está radicado, há anos, em Brasília. Seu primeiro livro que aportou por aqui, pelo Sul, foi “A Guerra da Donzela” e chamou a atenção. Todos os anos é re-indicado para leitura em sala de aula.

“Babel” é o quinto livro de contos do autor e, conforme o próprio, um filho enjeitado. Não é. Em muitas de suas páginas ressuma o que de melhor Nilto Maciel escreveu. Perpassando as três dezenas de histórias que compõem o livro, fica-se com uma estranha impressão de maravilha, “déjà vu” e presença real. Há meandros que insinuam mundos kafkianos; há luminosidades que doem como a solama nordestina. Há poesia, há cordel, há povo. Folclore, padrão, elite. Virtude, mornidão, pecado. Crenças, crendices, fé. Homens, mulheres. Mundos.
Ler “Babel” faz a gente lembrar de Jorge Luís Borges. E uma leitura que lembra Borges, só pode ser de livro excepcional. Como este de Nilto Maciel.

(Jornal Igaçaba, Roque Gonzales, RS, novembro de 1999)
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