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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Não existe apenas uma forma de amor & prazer( Luciano Bonfim)

  (Untitled - 2008 - Tamar Chkhikvadze)

No curso do tratamento psicanalítico há amplas oportunidades para colher impressões sobre a maneira como os neuróticos se comportam em relação ao amor; ao mesmo tempo, podemos nos lembrar de ter observado ou ouvido falar de comportamento semelhante em pessoas de saúde normal ou mesmo naquelas de qualidades excepcionais.[Contribuições à psicologia do Amor]
Sigmund Freud


Maria Bonita, antes de conhecer Virgulino Ferreira, o Lampião, a quem amou até a morte, foi casada com o sapateiro Pedro.

Cléopatra, rainha do Egito e do coração de Marco Antônio, amou o poder sobre todas as coisas e teve, segundo os relatos, momentos de prazer intenso com os seus magnânimos amantes. Diziam-na belíssima.

Oscar Wilde, que por algum tempo viveu devotadamente à sua esposa, com quem teve dois filhos, crianças para quem escreveu as suas histórias de fadas e encantamentos, amou de profundis a um impetuoso jovem inglês.

Calígula, de quem dizem barbaridades sobre a sua vida e os seus amores, indistintamente amou a homens e mulheres, preferindo, segundo consta, aos rapazes fortes e fogosos.

Niestzche alimentou platônicos amores e nunca teve relacionamentos duradouros; nem parcos amores viveu; na juventude, com uma que nem mesmo soube do nome, teve raras relações sexuais, o suficiente para contrair sífilis e terminar como sabemos.

Schopenhauer nunca morreu de amores pela própria mãe, preferindo dedicar-se a um pequeno cão, à música e à filosofia.

Hitler, algumas vezes acusado de sodomia, empestava de prazer as suas roupas íntimas quando discursava para o seu másculo exército.

Narciso amou a si mesmo e entregou-se ao desespero de não ser correspondido.

Tarzan amava Jane, mas nunca se desligou da macaca Chita, a quem conheceu bem antes.

Os cães às vezes se amam na praça e sempre depois do gozo ficam, por algum tempo, engatados um ao outro, sendo motivo de risos para muitos e escândalos para tantos.

Alguns amam e sentem prazer com animais não humanos.

Outros sentem prazer com aqueles que não amam.

Tantos exatamente não amam àqueles com quem dividem a mesma cama. Outros vivem com aqueles que realmente amam e têm prazer. Alguns fingem o prazer que não sentem, e, somente assim, têm o prazer que deveras fingem.

Muitos se masturbam todos os dias. Outros não se masturbam nunca nem de vez em quando têm relações sexuais e, no meio da noite, muitas vezes, acordam salvos pela polução.

Existiram Satúrnicas e Bacanais. Troca de casais existe, menáge a trois, também

O campo do amor é vasto, vocês sabem! Infinitas são as zonas de prazer!

Alguns, mesmo assim, nem querem saber de amor e sexo. Outros, todavia, não veem a hora de tudo isso começar.

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Luciano Bonfim [Crateús/CE.]. Publicou: Dançando com Sapatos que Incomodam – Contos [2002]; Móbiles – Contos [2007]; Janeiros Sentimentos Poético [1992] s e Beber Água é Tomar Banho por Dentro[2006] – Poesia; escreveu e montou as peças: Auto do Menino Encantado [2002] e As Mulheres Cegas [2000 e 2004]; criador da revista Famigerado – Literatura e Adjacências [2005]; professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA [desde 1996]; aluno do mestrado em Educação Brasileira [FACED-UFC/2006].


e-mail: luciano.bonfim@yahoo.com.br
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