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segunda-feira, 14 de maio de 2012

Voz de Goiânia (Manoel Hygino dos Santos)

(Alice Spíndola)


Alice Spíndola com dois novos livros editados: "Sob a cromática luz da música", prosa, e "Poemas/versek", na coleção Novos Rumos, poesia é claro, em português e húngaro, na versão de Lívia Paulini, que se candidata à Academia Mineira de Letras. Poesia e prosa que alegram o coração, porque são fruto da delicada flora de quem já produziu tanto para deleite espiritual e literário.

Quando se vai redigindo este texto também se lembra que Alice é mineira de Nova Ponte, transplantada a Goiás, em cuja capital reside e se dedica ao ofício das letras. Sua produção está incluída em jornais, revistas e livros, no Brasil e fora dele, até porque para a escritora o que se faz no campo das artes não pode, nem deve sofrer limitações. Não há fronteiras no céu das letras.

No seu novo "Sob a cromática luz da música" - observe-se como o título é sugestivo - a autora percorre o mundo misterioso em que vivemos, em nove contos, surpreendendo pela complexidade das situações sobre os personagens, a nosso lado nesta passagem terrena e carregam consigo problemas de difícil solução ou simplesmente sem qualquer solução. Daí, o interesse que essa criação literária nos desperta, exigindo uma análise psicológica e psicanalítica.

Há de se sublinhar ainda, e isso é valioso, as ilustrações de Chris Mestas, nascida em Paris, esposa de Jean-Paul, que sabe receber os brasileiros e abrigá-los com seus aconselhamentos à agitada vida cultural da Europa. A presença de Chris contribui para valorizar a obra de Alice.

No outro volume, "Poemas/versek", o encontro de duas poetas que sabem traduzir seus sentimentos, dúvidas, anseios, sonhos, pesadelos, no delicado instante que vive a humanidade e nas indefinições do tempo vário de agora.

Nos nove contos, há uma viagem à alma das pessoas em momentos muito especiais de sua existência. Alice, com maestria descreve esses instantes, cruciais frequentemente, dos quais não se pode dizer muito, em que se exige sigilo, em que o sol cega, em que as entranhas choram, mas dos olhos não podem escapar lágrimas.

Mesmo na prosa, há a poesia de Alice; ela alimenta a autora, incentiva-a, impele-a, fascina-a; extrai dela inspiração, instiga-a. Há segredos que, mesmo quando transmitidos, permanecem secretos, as palavras nem sempre foram feitas para esclarecer. O silêncio é de ouro e os contos, ao final, não revelam tudo aquilo que o leitor desejaria conhecer.

Há seres invisíveis, e malfeitos que não devem ser desvendados. "A janela se abre por mãos não humanas. Lá fora, um flamboyant grita em cada tom de vermelho. Sol invadindo a sala. E o ser se torna que invisível, porém presente. Dele, o futuro que não tem pressa de chegar. Céus! Vejo tudo". "Anoitece. De novo, entre a vigília e o sono, aquele espectro surge sem se mostrar e trazendo seu savoir-faire incrível. Não. Não sou eu, meu Deus, por acaso, este ser?" Assim são os textos de Alice Spíndola, mineira de Nova Ponte, no Triângulo, região de grandes escritores, que sabem a que vieram no mundo.

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