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sábado, 9 de fevereiro de 2013

Sem folia ( Wilson Gorj)




Comprou uma pistola. Mas essa não era como as outras: uma arma incomum, posto que disparava tristezas. Armado, ele entrou no salão onde muitas pessoas pulavam o carnaval. Disparou para todos os lados. Pessoas chorando, cabisbaixas, olhares morteiros, braços largados ao lado do corpo. Em pouco tempo o local se esvaziou; calados os auto-falantes. Pelo chão, copos descartáveis, confetes, serpentinas, colares havaianos, máscaras, triste cadáver de uma alegria morta. O atirador, então, sentou-se no meio do salão. Sacou a outra arma (uma bem comum). Houve um estouro e novamente o silêncio. Outro cadáver. 

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