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sábado, 11 de maio de 2013

Leitores da segunda geração (Nilto Maciel)



(Continuação)

 

Da geração posterior (anos 1940/50) destacam-se os comentários dos seguintes leitores:

Batista de Lima (Lavras da Mangabeira, CE, 1949): “Conheci Moreira Campos. Fui colega dele na Academia Cearense da Língua Portuguesa. Fiz minha dissertação de Mestrado sobre a obra dele e publiquei depois. Li tudo o que ele escreveu, mais de uma vez. São 140 contos, um livro de poemas e as crônicas publicadas no jornal O Povo”. Seus estudos da arquitetura moreiriana são fundamentais para o conhecimento crítico dela.

Beatriz Alcântara (Fortaleza): “Moreira Campos foi meu professor na UFC. Pessoa serena, com humor ocasional  interessante e de convívio agradável. O primeiro livro seu que li foi Dizem que os cães veem coisas, a seguir procurei a leitura de Contos escolhidos. Depois fiquei seguindo-o em revistas, antologias e jornais”.

Carlos Nóbrega (Fortaleza, 1955): “Oi, Nilto, não só li Moreira Campos, como tenho na cabeça o Dizem que os cães veem coisas, ainda hoje falei neste conto numa conversa com meu sogro e meu filho de 20 anos que estava presente descreveu a cena da festa. Achei legal. A sua pesquisa é interessante, me diga o resultado, se bem que muita gente pode rapidamente ir à internet e dizer falsas informações sobre o assunto”.

Carlos Trigueiro (Manaus, AM, 1943, vive no Rio de Janeiro): “Se li algum livro do Moreira Campos: Infelizmente, ainda conheço muito pouco do trabalho do Moreira Campos; só alguns contos esparsos em coletâneas e pela Internet. O pouco que li de sua lavra já deu para saber que era excelente escritor, mas, como sempre, não divulgado em outras plagas desses Brasis. Pretendo ler seus principais livros e estou vendo se os encontro na Estante Virtual. Sobre o que penso do descaso dos editores brasileiros com autores nacionais e de outros aspectos negativos do mercado editorial privilegiando grupos de amigos ou favorecendo os tijolos de marketing e grana de editores/autores estrangeiros abordei recentemente o assunto na fábula “Tatuagens fabulosas” que foi reproduzida em vários veículos/sites/blogs/jornal impresso, etc”.

Emil de Castro (Mangaratiba, RJ, 1941): “Moreira Campos sempre foi para mim o extraordinário contista. Já muitos de seus livros e ultimamente os Contos reunidos. A divulgação de sua obra se faz realmente necessária pela importância que tem”.

Franklin Jorge (Ceará-Mirim, RN, 1952): “Conheço Jose Maria Moreira Campos, sim, grande ficcionista cearense, apesar da grande dificuldade de acesso aos autores que vivem e trabalham em suas províncias, hoje bem menor, por causa das facilidades de que dispomos com a Internet. Dele li, dois ou três livros. Lembro-me que o primeiro livro seu que tive em mãos e li foi Dizem que os cães veem coisas, que adquiri ha muitos anos numa passagem por Fortaleza”. 

João Carlos Taveira (Caratinga, MG, 1947, residente em Brasília): “Meu primeiro contato com a obra de Moreira Campos se deu em 1980, quando Almeida Fischer coordenava uma coleção de contos de autores brasileiros considerados os melhores da atualidade. Junto com a Horizonte Editora, de Geraldo Vasconcelos, publicou algumas preciosidades nesse gênero aqui em Brasília; entre elas está o magnífico volume 10 Contos Escolhidos de Moreira Campos. Realmente, Fischer mostrou faro na seleção e editou o que de melhor a literatura brasileira produzia naquele período. Tenho alguns volumes da coleção que, à época, não pude completar por motivos diversos. Depois, li alguma coisa avulsa em antologias deste gigante do Ceará e sempre o considerei um grande contista, dono de uma verve invejável e de uma espontaneidade absoluta na arte da história curta, além do domínio técnico. Sim, li outros livros dele (não todos, infelizmente), e posso citar dois muito interessantes: As vozes do morto A grande mosca no copo de leite. Acredito que o Brasil, hoje na mão do capital estrangeiro e de falsos brasileiros, resolveu soterrar de vez os grandes nomes da literatura brasileira em detrimento de nomes medíocres da literatura de outros países (a norte-americana à frente), geralmente de péssima qualidade. Outro esquecido é Herman Lima, autor de Tigipió — Uma questão de amor e honra, que serviu de enredo para o filme de mesmo nome de Pedro Jorge de Castro”. 

José Feldman (São Paulo, capital, 1954, vive em Maringá, PR): “Conheci o escritor Moreira Campos pelo seu livro Contistas do Ceará, e contos de autoria dele. Livro dele, nunca li, infelizmente pelo alto custo dos livros que são vendidos no Brasil, ou mesmo pela falta de divulgação a nível nacional. Eu uso o meu blog para tal, mas não é o suficiente, e as editoras possuem uma divulgação que não atinge a grande massa da população. Escritores como Moreira Campos (1914 1994), ou Nilto Maciel, não são conhecidos aqui no sul, como sei que escritores daqui como Dario Vellozo, Emiliano Perneta, etc. não são conhecidos fora do PR, aliás, nem mesmo no próprio PR são muito conhecidos. Mas além da divulgação, é necessário uma culturalização do brasileiro, e uma união dos estados em questão de cultura em geral”.

Lourdinha Leite Barbosa (residente em Fortaleza): “Nilto, eu acho que já lhe contei como havia conhecido Moreira Campos no Centro de Humanidades da UFC e que depois disso fui à casa dele mais de uma vez. A primeira, como professora da UECE, para entrevistá-lo sobre seu processo de criação literária e fui muito bem recebida, conversamos bastante e D. Zezé esteve presente durante algum tempo. Na segunda vez, pedi-lhe que lesse alguns contos escritos por mim antes de levá-los a público. Ele foi muito gentil, fez comentários sobre meu estilo e me incentivou a publicá-los. Imagine a minha alegria! O grande contista Moreira Campos me receber e recomendar a publicação de meus contos. Eu reconhecia a minha inexperiência, mas queria começar a escrever. Nesta época, eu já havia lido O puxador de terços, Contos escolhidos e Os doze parafusos. Só muito depois li Dizem que os cães veem coisas, livro de que gosto muito”.

Madalena Figueiredo (Fortaleza, 1955): “Conheci nosso contista maior, pai de Natércia Campos, quando estudava para o vestibular: Contos escolhidos. Depois vieram os outros, não sei se nesta ordem: A grande mosca no copo de leite, O puxador de terço, Dizem que os cães veem coisas, Vidas marginais, Portas fechadas. Também um de memórias publicado em parceria: Roteiro sentimental de Fortaleza: depoimento de historia oral, por Moreira Campos, Antonio Girão Barroso, José Barros Maia”.  

Oswald Barroso (Fortaleza, 1947): “Conheço desde eu menino. Ele frequentava nossa casa. Conheço todos os livros dele. Moreira Campos é um dos escritores cearenses mais divulgados. Precisamos divulgar outros, principalmente ligados à cultura popular”.

Valdivino Braz (Buriti Alegre, Goiás, 1942): (...) “Particularmente meio que enfarado com o enxurro e mesmice atual — ressalvadas as exceções —, e mais seleto com as leituras, venho buscando os sebos, (re)adquirindo obras e retomando leitura de alguns autores que aprecio, tais como José Condé, Adonias Filho, Ricardo Guilherme Dicke (acabei de resgatar o romance “Caieira”, edição antiga), Herberto Sales, Hermilo Borba Filho, José J. Veiga (contos de seus dois primeiros livros, que eu não tinha mais). E (acredite!) somente agora adquiri e vou ler o premiado romance “Emissários do Diabo” (edição de 1974) do pernambucano Gilvan Lemos; também dele, e com tamanho atraso, intento encontrar a novela “A noite dos Abraçados”, pelo menos. Estou em busca de reaver obras de Valdomiro Silveira, Autran Dourado e outros nessa linha do meu agrado. E agora que Nilto Maciel buliu no baú, sairei a campo(s) pelas obras de Moreira”.

 (Continua) 

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