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domingo, 8 de setembro de 2013

Gregotins de um autor do Nordeste (Manoel Hygino)




O título, pelo inusitado das palavras que o compõem, pode afastar o leitor. Ou, contrariamente, atraí-lo. O ser humano é interessado em decifrar ou descobrir o que desconhece: “Gregotins de desaprendiz”. O primeiro vocábulo não é usado no Brasil, pelo que sei. Significa “garatujar”, encontrável nos dicionários. Ganha quem se dá a percorrer as menos de 150 páginas. Elas são de artigos, comentários e resenhas de livros, publicados pelo autor em vários suplementos literários do país, não faltando por sua importância histórica o “Minas Gerais”.

Não se inclinou Nilto Maciel apenas ao produto das grandes editoras. Preferiu os autores divulgados pelos pequenos publicadores ou, ainda, aqueles que sequer conseguiram distribuição pelas livrarias de ponta. No entanto, como se constatará, são eles verdadeiros ases na missão de escrever. De seus méritos ou qualidades, assim de seus senões, se tem uma ideia muito objetiva no que comentou, criticou, elogiou ou simplesmente registrou, lucidamente, Nilto em seus escritos entre 1976 e 1983.

Com esse novo livro, lançado pela “Bestiário”, de Porto Alegre, se tem uma demonstração vívida das qualidades de Nilto Maciel, um feliz redator de muita coisa boa que o Brasil conhece e aprecia. Lembro, até, a sua ousadia de lançar uma revista “Literatura”, que não mais circula, mas deixou exemplo insofismável de sua dedicação às letras: às suas e às dos demais colegas de ofício.


Devo dizer aos que ainda desconhecem Nilto Maciel que se trata de um dos bons escritores do país nas últimas décadas. Trabalhou, e muito, e bem, porque faz o de que gosta e sabe fazê-lo. Desceu do Nordeste com gana, atuou nas grandes capitais, instalou-se por certo tempo na capital federal, voltou à região quente em que nasceu.


Em determinado momento, descontente com a repercussão da crítica a livro de um amigo, decidiu parar. Fez pública declaração de que abandonava o gênero, “pois não seria fácil contentar essa maldita raça de escritores”. Mas seguiu tendo a web como veículo e mantendo blogs que difundem as criações e produtos de autores brasileiros. Ou não.


Pelo menos não saiu do mercado consumidor, que aprecia o que ele faz com sensibilidade, consciência e isenção, como, aliás, mostra plenamente em “Gregotins de desaprendiz”, entregue ao leitor neste 2013 já evoluindo para ocaso. O leitor agradece, porque encontra uma síntese do Brasil em período marcante de sua história, inclusive literária.

(Jornal Hoje em Dia, Belo Horizonte, MG, 6/9/2013) 


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