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domingo, 13 de abril de 2014

Encontro com o Prof. Dr. Roberto Pontes (Vianney Mesquita)


 
Escritor original não é aquele que a ninguém imita; é o que nenhuma pessoa consegue imitar (François-René Auguste de Chateaubriand - Saint-Malo, 04.09.1768; Paris, 04.07.1848).

  Entrevista fortuita e não menos aprazível, ocorrida no dia 08 de abril fluente, com o escritor Francisco Roberto Silveira Pontes de Medeiros (docente do Departamento de Literatura da Universidade Federal do Ceará), rendeu-me dois excepcionais regalos de peças de sua colheita, uma das quais de mimoso continente - o livro de bolso 50 Poemas Escolhidos pelo Autor (vol.55), com 120 páginas, parte das Edições Galo Branco, impresso pela insuperável Expressão Gráfica e Editora, do amigo arquiteto F. Eulálio Santiago Costa.
Sob a coordenação editorial da Prof.a. Dr.a. Elisabeth Dias Martins e diferentíssimo daqueles grossos in-fólios à antiga, o volume, de 11cm x 7cm, tem capa artisticamente simpática, da assinatura de Carlos D. von Minini, e xilogravura de frontispício de Adir Botelho.
Para a História da Editoração no Brasil
Adito por oportuno, a fim de constituir notícia para a história editorial brasileira, o fato de que, consoante registo procedido na quarta capa desse primoroso softcover, as Edições Galo Branco reeditam a ideia, concebida por José Simeão Leal, dos celebrados Cadernos de Cultura, editorados por ele no antigo Ministério da Educação, no Rio de Janeiro, com início em 1950, cuja publicação inaugural da Coleção 50 Poemas Escolhidos pelo Autor foram cinco dezenas de poesias de Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho.
Na sequência, vieram vários outros, entre os quais os de Emílio Guimarães Moura, Augusto Frederico Schmidt (o “Gordinho sinistro”), Ledo Ivo e Carlos Drummond de Andrade.
A ideia de homenagear essa diligência do então diretor do Serviço de Documentação do MEC – Simeão Leal - em favor da poesia brasileira configura a providência das Edições Galo Branco de oferecer, com igual denominação, o conjunto de 61 “bolsilivros”, da assinatura de escritores de poemas com os mais distintos pendores e escolas, oriundos de muitos rincões do Brasil, em meio aos quais estão vários cearenses, contabilizando-se, entre outros, meu preclaro amigo, escritor e diplomata Márcio Catunda (o qual no exato momento passa certos apertos com sua transferência, imposta pelo Itamaraty, de Madrid para Argel); o Prof. Dr. Linhares Filho, estudioso de  Miguel Torga (Adolfo Correia da Rocha) e António Fernando Nogueira de Seabra Pessoa; e o Prof. Dr. Pedro Wladimir do Vale Lyra, autor de Utiludismo – a Socialidade da Arte.
A edição desse conjunto poemático do mais erguido merecimento coincide, de estudo, com a passagem dos 70 anos do Escritor de Lições do Espaço (1970), que ele perfez agora, no dia 4 de fevereiro, pois ao Mundo neste dia de 1944, na mais cabida reverência a um intelectual de eminente estimação, conforme se exibe o produtor de Verbo Encarnado (1996) e Breve Guitarra Galega (2002).

O Conteúdo
Com relação ao teor das 50 peças que recheiam o livro, cujo continente termino de comentar – máxime pelo fato de haver sido escolhido pelo próprio Roberto Pontes, literato de nascença (pois deixou rendosa banca de advocatura para mourejar nos mal retribuídos misteres de escritor e professor) – não intento escoliar sobre a esplendidez de seu estro nem a respeito dos seus transportes poéticos. Acho suficiente exprimir o fato de que é conhecido, respeitado, admirado e multicitado por estudiosos dos países lusófonos, pois assina, por exemplo, Poesia Insubmissa Afrobrasilusa (1999) e O Jogo de Duplos na Poesia de Sá-Carneiro – meu segundo presente auferido no nosso casual encontro da Faculdade de Educação da UFC, ao qual me referi no começo destas notas, e estou no aguardo de asado ensejo para a seu respeito emitir juízos.
Sua literatura passiva se expressa por demais afortunada em todo o País, verbi gratia, nos conceitos de Pedro Lyra, Antônio Girão Barroso, Rogério Bessa, Sânzio de Azevedo, Nilto Maciel (Goiás), Lúcia Helena (Rio de Janeiro), Luiz Papi (Paraíba), Hélder de Sousa (DF), Pedro Paulo Montenegro, Fernando Py (Petrópolis), Angel Zuazo (Cuba) e tantos e muitos e múltiplos...
 O Contracanto (1968) está com 46 anos, o que representa quatro décadas e meia de poesia, numa trilha de qualidade, no acompanhamento do estado da arte da Poética, prosa, ensaio, crônica e tantos quantos gêneros entenda experimentar, porquanto arte e engenho encerra de sobejo.
Concedeu-lhe esse estatuto o fato de exercitar, constantemente, a poesia, a crítica, o ensaio, a tradução, o magistério de língua e literatura brasileira, portuguesa e africana. É um escritor que ESCREVE, não sendo desses bissextos, “dispensados de fazer poesia”, conforme dito por Ivan César em homenagem a Antônio Girão Barroso.

Conclusão
Ex expositis, sobre ser a existência escritural do autor de Movimentos de Cronos (2012) completa de estudos formais na grande área por ele escolhida para tornear e exercer magistério – cursos de pós-láurea lato e stricto sensu – além de participante de motos literários dos mais diversos gêneros, o Prof. Dr. Roberto Pontes é, como ocorre, v.g., com Rafael Sânzio de Azevedo, Francisco de Oliveira Carvalho e o também imensurável escritor baturiteense Nilto Maciel, pena constantemente manifesta.
Isto porque tais circunstâncias os converteram em escritores plurais, lidos, acompanhados e monitorizados pelos fiéis leitores, granjeados com seus escritos pouco intervalados e em evolução, no concernente à essência literária e à axiologia estética de sua produções.

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