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sexta-feira, 13 de abril de 2007

Um respeitável poeta (A. Isaías Ramires)


Já disseram que eu tenho má vontade com os poetas filiados à corrente modernista, o que não é verdade.

Embora seja de um tempo em que a métrica e a rima tinham peso considerável na avaliação da poesia, entendo que esses requisitos não são os mais importante nessa arte realmente difícil, embora pareça o contrário. Mesmo porque realizar obra poética não é empilhar palavras. O que condeno são os abusos, geralmente cometidos pelos despossuídos de talento, em nome desse liberalismo que nasceu com o Movimento de 22.

Estou com Baudelaire: “Poesia é a aspiração humana no sentido de uma beleza superior.”

Foi essa “beleza superior” que captei na leitura de Navegador, livro de Nilto Maciel, recebido recentemente, com gentil dedicatória do autor.

Como afirmou Francisco Carvalho, numa das orelhas do livro: “Nilto Maciel é, atualmente, sem nenhum favor, um dos nomes mais representativos da moderna literatura brasileira”.

Grande verdade, porquanto, além de poeta, NM é contista, novelista, ensaísta e romancista..

(Jornal A Gazeta, Vitória, ES, 15/7/1996)
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terça-feira, 10 de abril de 2007

Ecce homo sapiens (Nilto Maciel)




Aos trinta anos de idade, Giovanni Cristofori já havia publicado três importantes obras: A vida do homem de Pequim, O homem de Piltdown e Como surgiram os prossímios. A seguir, se voltou para o Brasil, e leu Roquete Pinto, Artur Ramos e Gilberto Freyre. Quis conhecer os índios, a Amazônia, Sete Cidades, São Raimundo Nonato, cavernas, sítios arqueológicos, etc. Aconselharam-no a instalar-se no Rio de Janeiro. Poderia escrever A mulher de Ipanema. Sociólogos indicaram-lhe Recife, onde encontraria o autor de Casa Grande e Senzala. No entanto, aportou em Fortaleza, e, no dia seguinte, rumou até Palma. Apresentou-se às autoridades e falou de seus interesses científicos. O prefeito se mostrou surpreso: desconhecia cavernas nos arredores da cidade. Talvez o italiano encontrasse pequenas grutas, algumas cobras e, no final, a morte.