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terça-feira, 17 de abril de 2007

Sintaxe do desejo (Hildeberto Barbosa Filho)

(Dimas Macedo)


Com Sintaxe do desejo, o poeta Dimas Macedo seleciona e reúne seus poemas, dentro de um arco cronológico que vai de 1978 a 2003, consolidando, assim, um primeiro balanço de sua expressão lírica, materializada em títulos como: A distância de todas as coisas, Estrela de pedra, Liturgia do caos e Vozes do silêncio.

Homem de formação humanística afeito à prática da crítica e do ensaísmo literários, Dimas Macedo também procura, no âmbito de suas inquietações criativas, cultivar o solo particular da poesia - esta paisagem arisca e encantatória, esta cartografia mágica, toda tecida de mistério e de espanto. Diria, com base na própria nomenclatura do poeta, em síntese conceitual que já reflete sua visão estética diante da palavra: a poesia é a “sintaxe do desejo”.
O paradoxo implícito no título desta reunião resume uma concepção de poesia no sentido geral, mas também no sentido específico. Sintaxe quer dizer organização, portanto, planejamento, racionalidade, consciência. O desejo, pelo menos na perspectiva freudiana, é algo involuntário, instintivo, impulsivo, inconsciente... Ora, a expressão poética não pode prescindir nem de uma coisa nem de outra. Pensemos, desta feita, na poesia como a organização verbal do desejo, na poesia de todo poeta autêntico, assim como na poética individual de Dimas Macedo.

Navegador (Silvério da Costa)


Trata-se de uma obra reflexivo-existencial, cuja preocupação é a análise da “vida e da morte”, principalmente desta como limite daquela; tendo de permeio o tempo, para formar a trilogia temática mais em evidência na obra.

Navegador revela o conflito entre o Eu-lírico e a realidade, desnudando os choques violentos dele advindos. Ler Navegador é incursionar pelo mundo instigante e cientificista de Nilto Maciel, um poeta à moda de Augusto dos Anjos, o vate da decomposição, só recentemente reconhecido como um poeta sui-generis da poesia brasileira.

Espero, sinceramente, que o mesmo não ocorra com Nilto Maciel, cuja ótica sobre o transcendental e o terreno, com sua finitude, reside na lucidez de suas análises e na preocupação com a inexorabilidade do tempo que vai deixando suas marcas no corpo cujo fim é ser repasto dos vermes. Apesar de agnóstico, é preciso que se reconheça, desde já, a marca de um grande poeta em Nilto Maciel (embora ele seja muito mais um prosador), a fim de que o mesmo possa navegar em suas águas conflituosas, que são a sua fonte de inspiração, pois como diria Fernando Pessoa “Navegar é preciso”.

E é o que faz o nosso grande poeta de Brasília!

(Diário da Manhã, Chapecó, SC, 11/12/1996)
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