(Márcio Catunda)
Meu amigo Márcio nasceu em 57. Uns meses antes daquela Copa do Mundo de Futebol que expôs, ao mundo e à história, Pelé, Garrincha, Didi e outros semideuses da bola. Naquele tempo, eu vivia a jogar bola nas calçadas e no meio da rua. Dentro de casa, com meus irmãos Ailton e Edinardo, sentia-me um deus a manipular botões, com nomes de gente, sobre um tabuleiro. Nem pensava em literatura, letras, livros. Catunda engatinhava (e eu não via). Aprendeu a balbuciar (e eu não ouvi). Quando deu os primeiros chutes, eu não me interessava mais por bolas e botões. Adolescia, mirava meninas e rabiscava versos e frases. E andava só, pelas ruas de Fortaleza, querendo ser gente.

