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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

De pó em palavra: Coador (Tânia Du Bois)



De pó:

os grãos de café passam por seleção eletrônica e, em seguida, por uma escolha manual, onde o café é selecionado no intuito de certificar-se a sua qualidade. Este é o segredo do café. A Internet também é um coador que seleciona escritores e textos. Creio que a possibilidade desse refinamento deve-se à visível demonstração de que a literatura continua viva e mantém, talvez por isso, seu progresso cultural de ser e de manifestar-se. A técnica parece buscar a essência da contenção, na medida em que cristaliza na organização dos textos uma expressão de inesperadas significações, como em Márcia Maia: “não eram meus olhos de bruma / que se refletem na xícara de café / ora ausentes, ora baços //...”

Uns versos (Silmar Bohrer)



Um mar sempre em movimento
a nossa vida deve ser,
Lobato exercia com poder
o que era seu pensamento.


Tarde opaca e sombria
nas vacarias do mar,
nenhum barco a revelia
neste mar a navegar.

Versos chegando, fresquinhos,
estes aí da primavera,
nem confeitos nem quimera,
são alguns pobretes versinhos.


As calendas setembrinas
têm o perfume de calêndulas,
e as horas se vão pêndulas
com gostinhos de ambrosinas.


Setembro no dia supino,
primavera enfim voltando,
e os álamos lá no cimo
balouçando... balouçando...
/////