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domingo, 22 de janeiro de 2012

O grande dia (João Soares Neto)



 
Nascera negro, pobre e paralítico. É bem verdade que não era mais paralítico, mas ainda tinha sequelas da poliomielite. Sua mãe, por mera ignorância, não o imunizara com a vacina salvadora. Também, desculpava-se ele, sua mãe dedicou o resto da vida a protegê-lo, a prepará-lo para o mundo que ela não entendia e achava cruel. Fora abandonada pelo marido, um plantador de amendoim dos arredores de Atlanta, na Geórgia, que a trocara por uma loura oxigenada do Texas e se mandara para Sausalito. Perdera seu homem, mas não a vida. Seu trabalho, noite e dia, como atendente de um hospital público, deu-lhe sustento, uma pequena casa na região sul da cidade, onde os negros viviam e procriavam muito.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Vestígio (Inocêncio de Melo Filho)


O morto se foi
E a casa ficou ruminando um silêncio
Que dói em quem passa por lá
Os cômodos estão iluminados
Mas a luz não afugenta o medo
Que desenha suas sombras nas paredes.

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