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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Os escombros (João Soares Neto)



 
Não, não acreditava. Acordara da sedação imposta e passara a mão no lado vazio da cama. Ainda tinha o cheiro dele. Aquele cheiro forte, acre, que o seu olfato identificava tão bem e mexia com seu corpo. Bastava sentir o cheiro e estava pronta. Ele não se fazia de rogado. Tirava a farda de bombeiro e a puxava para a cama. Faziam amor até quase desmaiar. Era amor bruto, em que tudo acontecia. A língua dele penetrava em suas narinas, acendia um fogo que a deixava molhada e em êxtase. Não entendia. Um dia, perguntaria a uma amiga se isso já lhe acontecera alguma vez. Dormiam nus, atravessados na cama. A grossa perna dele por cima de seu corpo esguio. Era bom sentir o peso do seu homem.

Frustração (Clauder Arcanjo)





Uma prosa disfarçada de poesia.
Ela, arguta e sábia, desvendou-a.
Um pedido de desculpas, rápido.
Cândida, boa, não me amaldiçoou.


Eu, frustrado poeticamente por mim,
Converti todos os meus remorsos
Em ossos de prosa numa folha
Outrora enganosamente poética.

clauderarcanjo@gmail.com

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