Por saber que a saudade traga a gente, o tempo nos ensina que a gente traga sempre uma saudade.
Desde pequeno tenho como regra a saudade de tudo, mesmo daquilo recomendável lançar do parapeito da janela mais distante. Chega-me de Neruda: “saudade é sentir que existe o que não existe mais”. E existo, tão saudoso de um jeito, a sentir saudades até dos meus erros. Sim, por que não? Errei muito na vida. Erros tão conscientes e queridos a não me deixar sequer sombra de arrependimento. Aliás, meus erros me são tão sinceros que sou de não poupar oportunidade de sempre contá-los, no afã de mostrar-me às pessoas para que não se iludam a meu respeito, me entendam e não esperem mais de mim. Afora do que veem, asseguro, sou apenas fama e fantasia.

