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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Quando o Amor é de Graça XI: Confissão à Forca (Raymundo Netto)



Por saber que a saudade traga a gente, o tempo nos ensina que a gente traga sempre uma saudade.

Desde pequeno tenho como regra a saudade de tudo, mesmo daquilo recomendável lançar do parapeito da janela mais distante. Chega-me de Neruda: “saudade é sentir que existe o que não existe mais”. E existo, tão saudoso de um jeito, a sentir saudades até dos meus erros. Sim, por que não? Errei muito na vida. Erros tão conscientes e queridos a não me deixar sequer sombra de arrependimento. Aliás, meus erros me são tão sinceros que sou de não poupar oportunidade de sempre contá-los, no afã de mostrar-me às pessoas para que não se iludam a meu respeito, me entendam e não esperem mais de mim. Afora do que veem, asseguro, sou apenas fama e fantasia.

domingo, 8 de abril de 2012

Dançar (Pedro Du Bois)


(Anita Malfatti, "Casal Dançando")

 
Vejo: pés rápidos deslizam
passos convencionados.
O rosto preso no exemplo.
Mãos inertes ao contato.
Reflito a posição exigida
e lamento o acontecimento:
dançar é esquecer o que vejo.
Ativar as mãos
deslizar o rosto
reinventar o som
em movimento.

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