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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Por trás de todo terrorista há sempre um homem de cajado em punho (Nilto Maciel)



O artigo “Por trás de todo terrorista há sempre um homem de cajado em punho”, de Bruno Savolino, encontrei ontem em alguns sites. Li-o, mas não o copiei. Hoje, porém, visitei os mesmos sites e não o achei mais. Não sei se Bruno existe, se usou pseudônimo ou se é brasileiro. Da leitura ficaram-me algumas impressões, não exatamente de sua literariedade. A primeira delas é a de que terrorista é aquele que instaura o terror. Alguns têm ideologia política. São usados por teóricos de revolução, para os quais só a violência pode mudar o curso da História. No mais das vezes, terroristas agem em causa própria. Que não é tão própria como se pensa. É dele, de seus assemelhados e dos que os criam.

Quase todo dia, um psicopata se arma de bombas e outros apetrechos mortíferos e pratica uma chacina. A mais famosa ficou conhecida como “11 de setembro”, nos Estados Unidos. Em abril de 2011 foi a vez de um jovem brasileiro assumir-se herói ou anti-herói numa escola em Realengo, Rio de Janeiro. Eliminou crianças, que desconhecia. É sempre assim: o maluco não sabe quem serão suas vítimas. O que o move é a vontade de vingança. Quer matar o maior número de pessoas possível. E depois se matar. Redimir-se. Como se fosse o criminoso, o julgador de si mesmo e o próprio carrasco, ao mesmo tempo.

Esse psicopata brasileiro não teve coragem de se aceitar como homossexual. Preferiu ser o apóstolo de uma castidade insensata: proclamou-se virgem. Por isso, matou meninas. Odiava mulheres, sobretudo crianças. Faltou-lhe um cajado às costas. Por quê? Porque teria sido pecador, impuro, se tivesse se submetido ao assédio das garotas. Na carta deixada por ele está tudo revelado. Só não entende quem não quer.

Todos esses psicopatas têm a mesma história: foram provocados ou atraídos sexualmente, na infância, para a prática sexual. Tudo seria normal, não fosse a culpa. Porque toda prática sexual (ato físico, prazer) é precedida de caça ou busca. Dia e noite massacrados pelas mães (às vezes também pelos pais, tios, avós), com lições de castidade e pureza, veem pecado e impureza no contato físico. Por sua vez, essas mães e esses pais, tios e avós são (e foram) amestrados por padres, pastores, clérigos muçulmanos e judeus: Cuidado com o sexo, é pecado fornicar antes do casamento, criança não pode “brincar de adulto”, etc. Está tudo nos chamados livros sagrados. Forma-se, lentamente, um monstro, o que irá matar (limpar, purificar) os que os atraíram para a sujeira, a imundície, o pecado. Hitler é um desses monstros.

Por que jornalistas, psicólogos, educadores, governantes, todos os que têm microfones e câmeras à sua disposição não dizem isso? Porque não lhes interessa a verdade. Só sabem dizer: Não há nenhum componente religioso nisso; as religiões nada têm a ver com isso. Simplesmente porque todos defendem o statu quo, ou seja, seus empregos, seus carros, suas casas, suas vidinhas. A ordem (dos donos do poder político, militar, jurídico, religioso, da comunicação de massa, etc) é dar (ao povo) explicações ordinárias, de fácil entendimento. Uns veem na falta de segurança pública ou de polícia a causa dos crimes. A solução estaria em detectores de metais, no desarmamento geral dos civis. Outros falam no poder do Diabo. E mais pavor infundem às pessoas. Dizem ser vontade de Deus. Os carolas gritam: É falta de Deus! Na verdade, o que há é exatamente um excesso de Deus, de religião, de moral, de leis, de opressão dos indivíduos.

Todos estes que, de cajado em punho, pregam estes princípios são enganadores. Alguns educadores e psicólogos se aproximam da solução: diálogo, esclarecimento, educação. Mas ficam nisso. Que diálogo? Que esclarecimento? Que educação? Não têm coragem de dizer: Basta de repressão, de castração, de punição, de amedrontamento. Por que não dizem que sexo é natural, é bom, é saudável, seja na infância, na adolescência, na juventude e na velhice? Por que não fazem declarações objetivas? Precisam ser claros: Vamos, crianças e jovens, beijem-se, abracem-se, toquem-se, sintam o prazer de viver.

Quebrar o ícone religioso é arrebentar a cadeia do estabelecido, da ordem. É instaurar a liberdade, a ordem natural das coisas. É mostrar que no sexo livre está a salvação do homem. Sem a prática livre do sexo, é isto o que vemos: A repressão sexual gera a falsa idéia de ordem e progresso. E haja massacre, haja terrorismo, haja sangue derramado de inocentes.

O autor de “Por trás de todo terrorista há sempre um homem de cajado em punho” se sente ameaçado, como se vivêssemos outra inquisição. E admite: “Porém, digo tudo isto certo de que não serei ouvido, de que serei ridicularizado, de que me chamarão de herege”.

Fortaleza, abril de 2011.
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