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terça-feira, 10 de maio de 2011

A voz do leitor (Tânia Du Bois)





“Se tens um jardim e uma biblioteca, tens tudo” (Marco T. Cícero)

O leitor vive na expectativa de ler e contar histórias, e de mostrar que a literatura é importante em sua vida, como descoberta, conhecimento e lazer. Também, sabe que ao cuidar da literatura tem a oportunidade de viajar com a imaginação e ir aos lugares mais belos. Isso significa que assim consegue alcançar o ímpeto da vitória. Porém, sempre se preocupando com o antes e o depois e, dessa forma, certifica-se das novas criações e produções.

“A tinta e o lápis / escrevem-se todos / os versos do mundo.”
(Carlos Drummond de Andrade)

Na vida do leitor o que não falta são grandes emoções, porque não se limita aos impressionantes e modernos textos. Ele os admira como obra de arte e a eles é sensível; vocação e paixão regem seu estilo, proporcionando privacidade e silêncio para passar momentos ao sabor dessa brisa, dos livros e do acaso.

“Criamos palavras / para preencher o espaço aberto /
entre as duas margens / de um rio de enigmas.” (Ronaldo Monte)

Para o leitor, a miscigenação cultural dá tempero à literatura. As palavras entoadas evocam transes coletivos. Todos têm uma história para contar, e o livro pode ser a voz do leitor, como viajante que por vezes se sente no meio do bosque ouvindo o encadeamento dos sons da natureza, sendo sons e sentidos significados, cercado de detalhes e cores com o objetivo de lhe provocar reação e atingir resultados mais amplos e concretos.

Ao ler os textos o leitor sente a revoada das aves, de sons diretos e simples, em imagens justapostas, uma promovendo o aumento da história da outra. Nada é mais interessante do que o poder da imaginação para conquistar os sonhos e fazer valer a liberdade. Na leitura ele passa a participar de detalhes curiosos e poderosos, como no sofrimento, no amor e na superação, cada vez mais presente em suas conversas pela abordagem contextualizada.

“... O verso se transforma na voz do leitor / na entonação do leitor /
na interpretação do leitor / no que o leitor aprende.” (Pedro Du Bois)

Por outro lado, o escritor sabe o quanto o mercado é rico e raro em termos de alcance ao público. Os livros acabam se transformando em espécie de vitrines: todos vêem, poucos lêem e menos compram. Mais uma vez o leitor se entristece porque, apaixonado pelos livros, procura viver os acontecimentos que nos trazem aos dias de hoje tendo o livro como panorama imaginário. Acredita estar a sociedade sendo esmagada nas entrelinhas.
Quantos escutam a voz do leitor?
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