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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Amor, traição e katchup (Ronaldo Monte)


Peraí... Você não é Erenildes? Tá lembrada de mim não? Eu sou o Carlinhos de Jesus. A gente cresceu juntos lá na Rua de Baixo, aqui mesmo em Pindobaçu. Você nem vai acreditar, mas eu vim aqui matar você. Não, você não me fez nenhum mal. Foi uma mulher que mandou. O nome dela é Maria Nilza. Ela me prometeu mil reais para matar você. É que ela gosta muito do seu marido e quer ficar com ele só pra ela. Espero que você me compreenda. Acabei de sair da prisão em Salvador e preciso muito do dinheiro.

É muito azar, o meu. A primeira pessoa que aparece pra matar é minha amiga de infância. Acho que não vou ter coragem de fazer mal a você. Não sei se você desconfiava, mas desde menino eu tinha uma queda por você. Fazia ponto na esquina da sua rua só para ver você ir comprar qualquer coisa na venda, sair toda pronta para a escola, passar de véu na cabeça indo para a missa.

O danado é que preciso muito desse dinheiro. Então, vamos fazer um negócio. Eu finjo que lhe mato e a gente divide o pagamento. Vamos, se deite aí no chão pra eu amarrar sua boca com um lenço. Agora eu vou enfiar um facão debaixo do seu braço, igual eu vi fazer nos dramas do circo. Só falta agora eu lambuzar seu vestido de katchup e pronto. Vou bater uma foto com meu celular pra mostrar a Maria Nilza.

Pronto. Agora eu vou soltar você. Desculpe se lhe machuquei. Descanse um pouco aqui no meu colo. Você não sabe o quanto eu queria ficar assim, com você junto de mim. E esse katchup deixou você ainda mais apetitosa. Deixa eu dar uma lambidinha na sua bochecha. Ai, que bom. Melhor ainda deve estar a sua boca. Ui. E se eu descer um pouco mais, você se importa? Se importa não? Então eu vou lamber você todinha, pois a minha fome de você é muito antiga. E você sabe que fome de menino custa muito a se acabar.

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