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sábado, 17 de dezembro de 2011

O Tempo de Iluminadas Palavras (Tânia Du Bois)



“Na manhã iluminada de lembranças refila a cor do sentimento...” (Carlos Vogt) O tempo pede palavras de luz. O amor, a dúvida, a dor e a luz estão presentes no sentimento sobre a vida e a condição humana. Criamos a ilusão da luz por uma questão organizacional e vivemos em função do tempo. “As luzes acesas / as portas abertas / as janelas acesas / todas as coisas acesas. // Bem aceso o viver.” (Álvaro Pacheco) A luz atravessa o tempo e, ainda assim, permanece dentro de nós com real importância. O objetivo fundamental é preencher o vazio com a luz que encontramos na arte literária, como em Lindolf Bell: “Seja o poema/ o homem devorado pela luz...”; em Gilberto Mendonça Telles: “... E deve haver os sentidos latentes/ que vão dando luz/ às coisas ausentes.”; em Jorge Tufic: “... mas é o imenso/ que de mim/ se ilumina.”; e em Luiz de Miranda: “A vida traz a luz/ sem a penúria de perder/ o azul/ na avidez do corpo.”

As palavras iluminadas podem ser a chave para entendermos os aspectos da vida, como a ideia que temos do tempo. A luz é transitória e está sempre em processo contínuo, desafiando os limites do tempo e do espaço, mostrando a importância das atitudes e reflexões sobre a força que cada um carrega dentro de si. A busca pela luz na temporalidade é desafio no olhar dos poetas. Visando salientar a proporcionalidade da importância das palavras iluminadas, influenciando muito a vivência pessoal na poesia. Nesse enfoque, revelo poetas a quem não faltam inquietações impregnadas na expectativa: “Quando os homens viram os olhos dos poetas,/ acharam em sua luz a luz do próprio olhar.” (Helena Kolody): “Na visão exuberante e bela/ Da luz da felicidade/ sou consumido na veracidade/ da saudade que nutro por ti.” (Benedito C. Silva): “... Saberei tocar a luz com a mão/ e no contato/ respirar o tanto/ desproporcional/ ao tempo de estio...” (Pedro Du Bois) Os poetas são responsáveis por despertarem a atenção, bem sucedida, quanto à luz. Eles reforçam a importância e a forma de se relacionarem com ela, levando-nos a compartilhar, manter e estabelecer o tempo. Ao nos sentirmos em busca das iluminadas palavras, somamos no desafio da liberdade e independência, coisas fantásticas que nos levam às escolhas. E, certamente, se pudéssemos contar com o tempo, recomeçaríamos colocando a luz em nosso horizonte, como em Francisco Alvim: “A luz saindo pelos ares/ janelas se abrindo.”, e em Luiz de Miranda, “O horizonte é a luz dos meus dias.”
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