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domingo, 27 de janeiro de 2013

De meu sol nado ao vário ocaso nosso — I (Nilto Maciel)





Não sei se a leitura do conto “Giacomo Joyce” teve alguma influência no que irei relatar aqui. Durante a manhã de ontem, li metade dele. Fui dormir depois do almoço. No final da tarde, não me aproximei mais do livrinho (são apenas 40 páginas, edição bilíngue, tradução de Roberto Schmitt-Prym) e me apeguei à revisão de Gregotins de desaprendiz, conjunto de artigos cuja primeira edição pretendo para este ano.

Agora me lembro de como surgiu a ideia de tecer estas linhas. Deu-se à noitinha. A televisão ligada. Moviam-se e dialogavam personagens. Trama corriqueira. Pus-me, então, a imaginar um modo de dar publicidade contínua aos tais gregotins. Aproveitaria meu blog e nele poderia inserir, diariamente, mensagens sucessivas e de variadas formas. Principalmente comentários curtos de leitores. Como uma ideia puxa outra, vi mais possibilidades no tal diário. Sim, poderia fazer do blog também um jornal pessoal (apenas meu flanco literário). Deixei para trás o filme, fui ao dicionário e me pus a fazer anotações: “Notas breves ou não, resumidas e até enigmáticas. Pequenas notícias (literárias) minhas, como recebimento de livros, mensagens e textos literários (dar nomes aos mensageiros). Apontamentos para contos, poemas, crônicas, etc. Notícias editoriais de meus livros. As notas podem ser diárias ou não; ou mais de uma por dia, dependendo da necessidade ou possibilidade”. Qual seria o título do “projeto”? Depois de alguns minutos, decidi: “De meu sol nado ao vário ocaso nosso”. Viria seguido de numeração romana e de meu nome entre parênteses.

O que significa o título? Alguns leitores terão decifrado o suposto enigma, imediatamente após a leitura dele. Outros necessitaram da leitura deste esclarecimento. Trata-se de verso de algum canto pouco divulgado? Quem será o vate? Desconheço tal peça e tal poeta. Dirão: Ora, é um decassílabo. Sim, e isto não quer dizer que seja frase poética. E poderá ser. Machado de Assis (não sei de outros exemplos), no Dom Casmurro, inaugurou o que ora ousei imitar. Deu ao narrador Bento Fernandes Santiago, o Bentinho, depois transformado em Dom Casmurro, a autoria de dois versos. Seriam o primeiro e o último de um soneto: “Oh! flor do céu! oh! flor cândida e pura!” e “Perde-se a vida, ganha-se a batalha!” Alguns sonhadores tentaram completar o poema. Francisco Carvalho (nascido em 1927, em Russas, Ceará, Brasil) inventou alguns sonetos (o “restante”) para dar continuidade ao “soneto não concluído” de Bentinho.

(27/janeiro/2013)
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