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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Reinícios (Pedro Du Bois)









reiniciados tempos onde nos escondemos
dos encontros atrasados

era para termos voltado
e a casa ainda está fechada em retornos

surpresas delimitam os sonhos
em atos encenados de operetas ligeiras
através das nuvens escuras das saudades

reencontrar é o termo correto
esboçado no gesto com que a mão
descansa no ombro do amigo

ruas não resolvidas em distâncias
maiores que as fortunas acumuladas
desfrutadas em fragmentos, o quase nada
das pedras colocadas de forma estéril

reafirmamos os votos da juventude
e nos voltamos ao futuro indelével
dos planos ultrapassados

arcabouços não completados no desenrolar
silencioso das águas passadas

ultrapassamos os tempos de cuidados
e somos deixados em cantos
onde nos espreitam espíritos menores

alçamos voo e nos acomodamos
na fria aragem trazida pela corrente
onde os elos prendem

passados inúteis nos acompanham
sombras e imagens retalhadas
do que não esquecemos

estrearemos novas faces
esplendorosa em máscaras
deslocada sobre o rosto

prontos ao delírio dos animais sedentos
a fome nos fará destino encurralado
entre quatro paredes

reafirmamos votos de beleza
e a pobreza como esteta
apura a lâmina em que se opõe o resto

restará o perfume desses anos atribulados
em vidas necessárias

na solidão em que nos encontramos
nos reconheceremos pelas vozes
e nos diremos graças: lamentos divididos
em justas porções igualitárias

cada um terá direito ao quinhão
dos enredados fatos não acontecidos

do que houve residirão os dias futuros
e as visões se farão largas
no pouco que restar da vista.


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