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sábado, 6 de agosto de 2011

Poemas (Kelson Oliveira*)

Para comover borboletas






PONTUALIDADE

Um dia aquele homem ia ser ele mesmo
mas se atrasou para a cerimônia.



TESOURO


De vez em quando me soltam
numa floresta de cataventos.
Volto montado sobre uma metáfora.
Os cataventos bem sabem
onde as vozes esconderam
seus tesouros poéticos.



NOITE COM BORBOLETAS


Sentei à mesa com borboletas azuis e amarelas.
Garrafas de pólen e paisagens
se estenderam em nossas bocas.
Nos embriagamos
como flores se embriagam à luz solar.
Durante a madrugada escrevi
cem poemas para comovê-las.
Deu perfeito!
De manhãzinha o universo acordou sem roupa:
borboletas são as cores a se amar.


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*Kelson Oliveira é cearense de Limoeiro do Norte, onde cresceu à beira do Rio Jaguaribe. Historiador e antrópólogo, é autor de Quando as letras têm a cor dos sonhos e do estudo antropológico sobre magia Os trabalhos de amor e outras mandingas. Os três poemas acima constam de Para comover borboletas, Editora 7 Letras, 2010.

Geraldo Lima, catador de pedrinhas de brilhante (Nilto Maciel)




Tesselário (Editora Multifoco: Rio de Janeiro, 2011) é um livro pequeno, de cerca de 70 páginas. Contos curtinhos, a maioria de menos de uma página. E tem uma divisão muito interessante: duas partes ( a primeira, intitulada “Tesselas”, composta de 34 – XXXIV – peças, numeradas (algarismos romanos); a segunda, denominada “Breu”, com 33 microtextos, em letras brancas sobre fundo preto.)