Hoje quero dedicar o dia a Ronaldo Werneck. Ou aos três livros que me enviou recentemente. Antes, porém, preciso contar uma história: Comprei um relógio, que, de hora em hora, me convoca para a vida. Um chato! Mas necessito dele como gato não pode prescindir da língua para se lamber e limpar. Não fosse ele, o relógio, coitado de mim!, estaria entrevado, torto, cego, só pele e osso. Pois quando me ponho a ler, escrever, ouvir música, ver filmes, documentários, entrevistas, perco a noção do tempo e deixo de me alimentar, tomar banho, beber água, suco, caminhar, cumprir obrigações mercantis, telefonar para minha irmã mais velha, cortar as unhas, podar a cara (resta um bigodinho ralo e branco). Não fosse ele, o relógio chinês que fala, eu estaria morto. Certamente apenas morto de corpo, pois minha alma está mais viva e atenta do que nunca. Porém, nem só da palavra vive o homem, mas também de pão.
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sábado, 27 de agosto de 2011
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Condomínio (Assis Coelho)
Abriu a janela e sentiu o clarão do sol ofuscar-lhe os olhos. A visão externa era o único privilégio daquele pequeno edifício velho com listas de rachaduras verticais e sinuosas que de repente se perdiam num emaranhado de formas indecifráveis. Era um quadro abstrato e sujo que contrastava com os edifícios de cores vivas e de formas arquitetônicas arrojadas e simétricas da vizinhança.
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