Translate

sábado, 3 de setembro de 2011

Com a alma à beira do abismo (Regina Ribeiro)

(Fonte: O POVO Online/OPOVO/Vida e Arte, Fortaleza, 3 de setembro de 2011)

Na publicação, Nilto Maciel embaralha tramas, mistura vozes num jeito enxuto de narrar (KLEBER A. GONÇALVES)

Novo livro do contista Nilto Maciel mostra o avesso do homem contemporâneo. Com leveza trafega pelos sonhos impublicáveis, perversões e desejos humanos. Num mesmo plano expõe o sagrado e o profano

Uma das vantagens de ler um livro de contos é poder seguir um ritmo próprio escolhendo as narrativas pelo título, como se fosse um jogo, ou simplesmente pelo humor do dia. Pronto, é este. Não é diferente com o Luz vermelha que se azula, do contista Nilto Maciel, lançado na última terça-feira. Aí é que mora o engano. É diferente.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Raymundo Netto e o laissez faire (Nilto Maciel)

(Salgueiro, Nilto e Netto, na casa do segundo)

“Conheci Raymundo Netto em 1850, na calçada da Cadeia de Fortaleza”. Assim eu poderia iniciar esta crônica e ser fiel ao modo de narrar deste jovem que adora o passado de nossa terra, vive cercado de livros e escritores, sejam mortos, sejam vivos. Em suas crônicas, os antigos conversam com os de hoje, passeiam pelas ruas, transitam pelo Passeio Público, pela Praça do Ferreira, pelas vias estreitas, sem pavimento, de prédios baixos. Porém, não o imitarei e serei fiel a mim mesmo e aos fatos: Conheci Raymundo Netto numa tarde de outubro de 2005, no interior de um veículo automotor, com destino a Aracati, onde se realizaria a 1ª Festa do Livro e da Leitura. Ao meu lado, Pedro Salgueiro. Vocês se conhecem? Sorridente e tagarela, Netto estendeu a mão e se apresentou. Lancei um livro recentemente: Um conto no passado: cadeiras na calçada. A curiosidade me sacudiu: Um conto longo? Não, um romance. Pedro se mantinha ao largo, olho na estrada. E o senhor é também escritor? Acabrunhei-me. Aquele sujeito, de quem eu nunca ouvira falar, dizia-se escritor e, ainda por cima, perguntava se eu escrevia? Tive vontade de lhe dizer: Tenho vinte livros publicados. Contive-me (quantidade não significa muito, pensei) e preferi ouvir a palavra apaziguadora de Salgueiro: Nilto é um dos poucos escritores cearenses da geração de 70 que se mantém atuante. O rapaz sorriu de novo: Ah! é?