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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Abrir mão (Ronaldo Monte)


Num gesto do mais autêntico autoritarismo, minha médica mandou a atendente medir a circunferência da minha barriga e tomou a decisão unilateral de me decretar obeso. Claro que protestei veementemente contra o reconhecimento científico do meu visível arredondamento. Mas no fundo eu já vinha achando que estava na hora de abrir mão de alguns prazeres para poder voltar a encarar sem medo a minha parte do guarda-roupa. Além disso, já andava chateado com a dificuldade em executar certos movimentos, fazer um mínimo de força, sustentar o peso de alguns objetos.


Quando o Amor é de Graça III: crônicas de meu Pai (Raymundo Netto)


Todos têm — e aí o “quase” é certo — o melhor pai do mundo. Daí, de não tomar tempo alheio a endossar o clichê. Meu pai, José Pedro, pelos amigos o “Deca”, para os colegas o “Costa”, é pernambucano. Sargento do Exército — imitando o pai, cabo mestre-carpinteiro Raymundo —, veio a Fortaleza com 25 anos, onde morou no sobrado da tia Francisquinha, na Padre Mororó. Depois, num baile do extinto clube General Sampaio, conheceu Zenaide, a “Zena”, estudante de odontologia — pioneira entre as mulheres no curso da UFC —, minha não-sabia-ainda mãe.