1. Uma assinatura escritural
Walter Benjamin, no ensaio “A imagem de
Marcel Proust”, relembra que todas as grandes obras literárias ou inauguram um
gênero ou o ultrapassam. Esse caráter de excepcionalidade de um texto adequa-se
muito bem a um nosso arremedo de classificação dos textos que compõem o livro
O Céu do Ceará-Mirim. Tal fusão de gêneros diversos já havia se manifestada
no livro O Spleen de Natal, no qual poucas vezes a linguagem advinda do
jornalismo, tradicionalmente vinculada à função referencial da linguagem,
adquiriu, por meio de vários artifícios estilísticos, uma dimensão estética
consubstanciada em uma dicção que ostensivamente (e naturalmente) faz irromper
a função poética da linguagem, que, em certas passagens de alguns capítulos,
passa a ser a dominante.
