É
Machado de Assis, há algum tempo, o nome mais estudado (deve ser também o mais
lido) da literatura brasileira. E deverá carregar este epíteto por muitas
décadas ainda. Poderá até ser ultrapassado por Clarice Lispector, Guimarães
Rosa, Jorge Amado, Graciliano Ramos e outros mais antigos ou mais novos, que
isto é de difícil entendimento. E, para dar mais robustez ao instituto dos
estudiosos da joalheria machadiana, chega às livrarias (ou às bibliotecas
públicas e privadas) O Quebra-Nozes de
Machado de Assis: Crítica e Nacionalismo (Fortaleza: Edições UFC, 2012), de
Eduardo Luz. O volume traz palavras de apresentação de Alfredo Bosi (vejam
quanto prestígio o do jovem professor e escritor carioca radicado no Ceará):
“impressionou-me a qualidade da sua escrita, sempre límpida, enxuta e bem
articulada. Além do mérito da correção e propriedade da linguagem, o que salta
à vista é o desafio inerente ao seu projeto intelectual: enfrentar o tema do
nacionalismo mais uma vez explorado pela crítica machadiana”.
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
domingo, 16 de dezembro de 2012
Epitáfio (Ranieri Basílio)
Every poem an epitaph.
T.S. Eliot, Little Gidding, V.
Para Valdemar Neto
Enquanto fraco sofro por ser forte,
A morte só me leva para a morte.
No desvario tal sonho com fantasmas.
Todos sou eu, meu ser vem desse plasma.
Trágicas, vãs, perguntas vagam no ar
Da vida. Vejo a morte a me assombrar.
Tão bela a morte – que é amor e medo,
Pois ambos são assim, ambos, segredo.
Quando o medo me faz ser angustiado,
Vejo o quanto me faço esse estado.
Sempre com medo, sempre no fugaz,
Invisível, total do que me faz.
Quando o desejo morre, e a ideia morre,
O pânico sufoca e não socorre.
Mesmo o desejo nada de bonito
Produz, tudo consome em nosso grito.
Mas se existe consolo, brota leve
A paz no seu silêncio, mesmo breve,
Morto no desespero consumido
De cada instante, todo dividido.
Morte, talvez, prazer numa constância,
A última estrada para a tal distância.
Prazer, prazer! Prazer? Por que a tristeza
Se faz de cega diante da certeza?
É no prazer que sinto o meu abismo,
É nas perguntas tolas que mais cismo.
Solitário vou triste no planeta,
Sem nada que constante se prometa
À carne fraca. Dura é esta vida,
Quanto mais o viver, mais despedida.
O que resta no medo é só um triz,
Não é o sangue morto, mas cicatriz.
O que não se promete, é inventado,
Passando-se de um lado pr’outro lado.
Quem tenta a vida toda, mas não faz,
Também tem o direito a pedir paz.
E cantar para a morte é (quem que sabe?)
Também louvar a vida que nos cabe,
Aquilo que de tormento vira gozo
E sendo o fim não é tão tenebroso.
O fim já chegou. Certo. Mesmo assim,
Como faremos para além do fim?
Tensa melancolia de cada instante
Convence do benéfico ou do errante.
A terra prometida se consome,
Tudo se apaga, morre todo nome.
E, quanto mais choramos, nada muda.
Vida é o que de fato não se estuda.
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