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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Consequência imprevista de alguém seriado (Cunha de Leiradella)



Ontem, a merda de um dos elevadores do Acaiaca enguiçou. E bem no meio de dois andares. Tava todo mundo descendo pra almoçar e a porra tava mais cheia do que saco de juiz de futebol. Mas tava tudo jóia, descendo legal, sabe como? Só que, de repente, ó, a porra dá um tranco e quem diz que mexe? Mexe nada. O Eduardo, meu xará, é que tava naquele turno. Gente fina, só de cabineiro daquele carro já tem pra mais de ano, e já tá habituado. Vira e mexe, aquela porra tá enguiçando. Mas, mesmo assim, o xará ficou puto. E eu não tiro a razão dele, não. Quem que gosta de ser aporrinhado? Mas o xará até que foi maneiro. Quem que apertou a emergência? Ninguém tinha apertado a porra da emergência, aquela merda enguiça à toa, todo mundo sabe. Só que, quando o xará perguntou, quem que apertou a emergência?, foi aquela merda. Logo, logo, todo mundo olhou pra mim. Toda vez que tem pepino na porra daquele edifício, é sempre a mesma merda. Todo mundo diz logo que sou eu. Mas eu sei por quê que nego fala isso. É porque eu não sou chefe, sou bói. Se fosse chefe podia era torrar todo mundo que ninguém falava nada. Que nem o puto do meu chefe, que fode todo mundo e, ó, todo mundo lambendo a bunda dele, numa boa, senão já viu, sifu. Ah, mas eu não tou nem aí, foda-se. Pro que o filho da puta me paga, não merece nem a metade do que eu faço. E olha que eu só faço, porque comigo é ali na chincha, na moral, senão fazia era o cacete. Por isso, é que fiquei puto quando o xará me encarou, sabe como? Mas não adiantou ele encarar, não, que eu também encarei. E encarei firme. Firme mesmo. Cara feia, pra mim, sempre foi cu de mico. E, além do mais, desta vez, eu não tava nem perto da porra do painel. Por isso, encarei firme, até que ele se mancou e deixou eu. Cara, se tem porra que me torra é nego vir pra cima de mim sem moral. Torra mesmo. E o xará sabe disso. E tanto sabe, que se virou pro outro lado e, ó, não era nem mais com ele, só mexe que mexe na porra dos botões e o pessoal, olha que olha, se cagando. Mas a porra não desenguiçava, nem por um cacete, e, aí, uma dona gordona, com um par de mamas maior do que a bunda da Marilene, se cagou. Não vai andar, não, moço? Tava bem na minha frente e o suor escorria no rego dos mamões, que nem quando a Marilene me pede pra mijar na bunda dela, sabe como? E a gordona se cagando, e aqueles mamões ali, treme que treme, bem na minha frente. Cara, vou te contar, fiquei dum jeito, doidão mesmo, sabe como? E a gordona, ó, só naquela de tremedeira. Moço, moço. Mas o xará, não era nem com ele. Larga de apertar a merda dos botões e encosta na porra do painel. É. Enguiçou mesmo. E a gordona treme que treme. E agora, moço? A voz tremia igual às mamas e eu já tava que tava. Sou vidrado em mamas, daquelas grandes, que a gente aperta e sobra tudo, sabe como? Marilene fica puta, não tem mesmo. Mas o que salva, é que ela gosta de ser comida daquele jeito e, aí, sabe como é que é, a bunda salva a pátria. Mas, aí, a gordona dana de mexer e as mamas, já viu, naquela de mexe que mexe, cola firme no meu braço. Cara, foi a conta. O pau ficou daquele jeito e eu ali, sabe como? A porra é que todo mundo tava vendo e, aí, sabe como é que é, eu tive que manerar. Mas a gordona tava que tava. Moço, moço, pelo amor de Deus. Cagava de medo e o meu braço, ó, cada vez mais metido naquele rego. Cara, que bunda de Marilene, que nada. Mil vezes aquelas mamas, feito que nem geleia, puta que pariu. E, aí, não deu mais pra manerar. Deixei o pau rolar e dei uma geral. Todo mundo enfiado, que nem bacana flagrado chupando pau de michê dentro do carro. E tinha um do outro lado, já mais pra lá do que pra cá, gravatinha daquelas, sabe como? Daqueles que bota moral até na mãe, mas na hora do vamos ver, adora é cacetão. Conheço o jeitão desse gado, cara. Por isso que falo. E o coisinha, pra lá de machão, não é que vai e mete os peitos, o merdinha? O senhor não pode verificar o defeito, não? Cara, o xará pulou feito pipoca. O defeito? Aí, o vaselina, não teve jeito, derreteu. Será que não haveria um jeitinho... Mas o xará não deu nem bola. Mas que jeito? Não tá vendo que o jeito é abrir a porta, pô? Aí, cara, a gordona danou-se. Joga o corpão todo pra cima de mim e abre as pernas, e, ó, foi aquele barulhão. Mas peidão mesmo, cara, que saiu até zoando. Moço, pelo amor de Deus, abre logo. Aí, cara, o xará, não teve como. Engrossou mesmo. Abre como, dona? Não tá vendo que esta merda enguiçou, não? E vê se toma jeito, viu?, que isto aqui não é privada, não. Dava até pena, meu irmão. A gordona enfiou e eu, mas quê que eu podia fazer, hem? Só aproveitar, é ou não é? Lasco o pau no coxame e as mãos por baixo do braçal, e mandei ver, foda-se. Mas, aí, o xará melou tudo. Olha aí, gente. O jeito, agora, é esperar os bombeiros, viu? Aquela porra tinha ventilador, mas o fedor do peidão, vou te contar, fodia tudo. E o pessoal suava, que suava, melecado feito que nem porra. Mas eu tava na minha e fiquei, sabe como? Mandando ver nas mamas da gordona, me esbaldando. Mas aí, uma moça magrinha, que eu conhecia lá do meu andar, resolveu dar uma de gostosa. E como é que chama os bombeiros? Cara, não teve jeito, o xará descabelou. Descabelou mesmo. Como é que chama? Ora, dona, chamando, qual que é? Cara, a magrinha era só osso, mas era carne de pescoço, sabe como? E quem que vai chamar? Você? Aí, cara, o xará nadou de peito. Qual que é, dona? Tá me estranhando, é? Quem que vai chamar é a portaria. Ou tá pensando que isto nunca aconteceu? Nós tamo no Brasil, dona, não tamo... Se fosse eu, sabe o quê que eu falava? Nós tamo é na puta que a pariu, viu, dona? Mas o xará, vai ver, precisa daquela porra, e já viu, deixou pra lá. E foi aí que a D. Dores resolveu entrar na dança. A D. Dores é a secretária do meu chefe, conheço ela, ó, pior do que tricha malcomida. Mesmo quando pegaram ela chupando o pau do chefe, lá no gabinete dele, nem aí ela tremeu. Diz que botou a pica dele na braguilha, como se não fosse nem com ela, e botou todo mundo pra rodar. Numa boa. D. Dores é foda, cara. Se tivesse pica seria macho, isso eu garanto, porque culhão, cara, ela tem mesmo, viu? E, vou te contar, quando ela olhou pro xará, cara, ela já tava era bufando. O senhor veja como fala. Aqui não tem gente da sua laia, não. Ah, mas o xará matou no peito. Matou mesmo, cara. Ah, D. Dores, não enche, tá? Não enche, não, que senão... Cara, do jeito que o xará olhou a pirua, tenho certeza que tava lembrando direitinho ela chupando o pau do chefe. Ah, tava. Todo mundo no Acaiaca sabia da porra da chupada, cara. E teve gente bateu punheta, ó... Até eu. E foi aí, cara, que um bostinha, cabelinho daquele jeito e voz fininha, sabe como? Foi aí que o putinha deu pra dar chilique, vê se pode. Este elevador é sempre assim, é? Aí, cara, o xará pulou a cerca. Às vezes, cai no poço. Por quê? Mas o merdinha não medrou, não. Encarou, cara. Perguntei com educação, viu? Aí, não deu. Até o xará teve que rir. Fica frio, cara. Desmunheca não, tá? Mas o merdinha tava que tava e mandou ver. Tava só perguntando, eu, hem? Falta de educação. Aí, cara, não teve jeito. O xará se queimou mesmo. E eu tava só respondendo, falou? Se manca. Se manca, vai. Cara, o xará engrossou tanto, que até a gordona se mancou. Não sei se eu tava pegando firme demais na mamoada ou se o pau tava machucando, sei lá, mas ela me olhou dum jeito, cara, que eu até pensei que ela ia era botar a boca no trombone. E fiquei na minha, sabe como? Se a gordona armasse berreiro ia ser aquela merda. Ah, ia. Ia mesmo, cara. Mas sabe o quê que a filha da puta faz? Só me encara e continua firmando a bunda no meu pau, vê se pode. E, aí, cara, aí eu liberei geral e deixei ela se esbaldar. E a filha da puta sabia como, sabe como? Pra não dar bandeira fingiu até que deu chilique. Moço, moço. Cara, eu não sabia nem se apertava ou se enfiava, e nem sei se o xará matou a jogada, tá entendendo? Mas que ele foi cem por cento, isso foi. Calma, dona. Calma, que dá. E vai que pisca pra mim, o filho da puta. E foi aí, meu irmão, que eu percebi que ele tava na minha, deu pra entender? Mas até estranhei. E estranhei, porque teve um tempo aí que a gente não se cruzou lá muito, não, sabe? Não foi por nada, não, mas eu bem que desconfiei que o filho da puta tava querendo era comer a Marilene. Mas manerou e coisa e tal, a Marilene me dizendo que eu tava era vendo chifre de boi em cabeça de cavalo, e o caso esfriou. E, de lá pra cá, a gente se respeita. A Marilene, cada dia, mais grudada e eu levando, sabe como? Por isso, estranhei aquela piscada do xará, tá entendendo? Mas como ele piscou e virou pro outro lado, deixei pra lá. O meu negócio não era esquentar à toa, não, era a gordona, sabe como? E deixei ela se esbaldar. E foi aí, cara, que a D. Dores pensou que ainda tava no gabinete do chefe, vê se pode. Este elevador não tem telefone, não? Cara, eu só queria que tu visse o xará. Mais puto do que um puto, tá entendendo? Claro que tem. Só que não funciona. Ou a senhora não sabe, hem? Mas a pirua, cadê que a pirua se calou? Calou nada. Mas isso é um absurdo. Cara, aí, danou tudo. O xará botou pra foder mesmo, sabe como? A senhora sabe o quê que é um absurdo, D. Dores? Olha que eu sei, e muita gente também sabe, tá bom? Cara, naquela hora, fissurei na porra do xará. Fissurei mesmo. Se tivesse filmado a porra da chupada, dava até uma cópia pra ele. Dava mesmo. O cara merecia, cara. Enfrentar um trem feito que nem a D. Dores não é mole, não. É troço paca. Mas que ela também já tava, ó... Depois das catucadas do xará e do calorão que fazia naquela porra, não era mais aquela, não. Já tava muito mais pra boi ladrão do que pra onça, sabe como? As pelancas borradas que nem cocô e a tal da piruca que parecia até pentelho de cachorro. Mas não era problema meu, e, aí, larguei da pirua e mandei ver foi na gordona. Cara, vou te contar. A bunduda tava que tava. Bufa que bufa e a bunda lasca que lasca no meu pau. Cara, mais um sei lá o quê e eu, ó, fodia era a cueca. Não dava mais nem pra parar, sabe como? E tou eu no quase quase, e não é que a filha da puta abre um berreiro do caralho e vai de tapa na cara dum coitado, que tava do lado dela, e fode tudo? Cara, tu conhece aquela estória do tal do elefante que comeu a formiguinha, troço doido pra caralho? Pois é. A gordona armou uma zorra que nem a porra da formiguinha, nunca vi. E foi aquela confusão, cara. Pisão, cotovelada, o caralho, sabe como? E o berreiro? Cara, só a gordona parecia que tava era gozando no cu e no caralho, puta que pariu. E, aí, não teve jeito. O xará teve que sair na moral mesmo. Senão virava zorra, sabe como? Porra, dona. Vê se cala a boca, puta merda. O xará, vou te contar, tava pior do que cabaço no cacete. E tava certo. Na hora da cobra fumar quem se fode é quem dá fogo. Na hora de D. Dores chupar o pau do chefe quem se fodeu foi D. Ló. E olha que D. Ló, coitada, já não via pica, ó, só a minha já fazia mais de ano. E tu sabe quem que fodeu ela? Seu Pedro, um escroto dum viado, peixinho da pirua, que falou que foi ela que inventou. Inventou nada, cara. Todo mundo viu foi a porra da chupada. Meu irmão, diz que Deus é grande e é mesmo, sabe como? O filho da puta tava ali na minha frente e tava, ó, fodidão mesmo. Que nem cu depois de peido, sabe como? Mas como tava do lado da filha da puta, deu pra dar uma de machão, vê se pode. O senhor tem que abrir essa porta. Tem senhoras aqui dentro. Cara, o xará encara o puto de um jeito, que eu até pensei que fosse matar ele, puta merda. E por quê que tu não vem abrir, hem, seu viado? Diz que, eu nunca vi, mas a Marilene é que diz que Seu Pedro andou chupando o xará, troço rapidindo, entra no banheiro, sai do banheiro, sabe como? E diz que ele não pagou e o xará ficou puto, e pegou ele. E diz que deu até, ó. Mas como o puto tava ali escorado na pirua, aí pensou que era hora de tirar a diferença, sabe como? Mas sifu, cara. Sifu. Sifu mesmo. Mas o mais gozado não foi só isso, não. O mais gozado foi aquele gravatinha, lembra dele? Aquele que perguntou pro xará se o xará não tinha jeito de dar um jeito, lembra, e o xará pulou em cima? Agora, vê se pode, o xará puto com o escroto do viado e vem o porra do gravatinha e mete bronca. Vê se pode, cara. Mais educação, viu? Não tá vendo que tem senhoras aqui dentro, não? Cara, o merdinha sapateava e ciscava que só vendo, vai ver, assim, ó, com o escroto do viado, comida dele, só pode, e o xará tá que tá, só olhando, sabe como? Aí, cara, o merdinha, vai ver, pensando que tá escorado no escroto, estufa os peitos e manda ver. O senhor sabe com quem está falando? Assim mesmo, cara, o senhor sabe com quem está falando? Cara, tu tinha que tá lá só pra ver. O xará passa a mão no colarinho do puto e, ó, não quer nem saber. Tou falando com um viado, e aí? Cara, tu tinha que tá lá mesmo, sabe? O merdinha dá uma de peitudo e vai pra cima do xará, mas não deu nem prá saída. Foi a mão do xará encostar nele e o porrinha cafunga que cafunga, que nem eu quando arrumo uma legal, sabe como? Cara, taí, gostei do xará. Todo mundo só querendo pisar firme e o cara, ó, segurando as pontas numa boa, só na moral mesmo. Era a gordona, era a pirua, era o escroto, era o gravatinha, todo mundo ali calado, ó, que nem cu de surubim. Mas, aí, o putinha, aquele que tinha dado chilique, lembra dele? Aquele do cabelinho daquele jeito, que tinha perguntado se aquela porra era sempre assim, sei lá o quê, e o xará mandou ele se mancar, lembra? Cara, que trem esquisito que deu nele, puta que pariu. Sem mais nem menos, mete os pés na parede e empurra todo mundo, e pega de berrar que nem puta em camburão. Me deixa. Me deixa. Me larga, que eu abro... Abriu, porra nenhuma. Desmilingüiu foi na hora. E, aí, cara, foi que zoneou mesmo, puta que pariu. Era grito, era empurrão, era pernada, ai, meus Deus, aperta, não, calma, gente, quê que é isso, empurra, não, vai se foder, o caralho, sabe como? E eu só rindo. A gordona tava que parecia de pedra, dura mesmo, e a pirua, cara, essa tu precisava era de ver. Se o chefe tivesse ali, duvido que deixasse ela chupar o pau dele. Duvido. Duvidêódó. A filha da puta fodidona e eu só rindo, sabe como? Aí, sua vaca. Chupa aqui, sua puta. Ou tu pensa que só chefe é que tem pica, hem? Mas não deu nem pra levantar a merda do cacete. Quando eu tava vai que vai, não é que a porra do gravatinha se escora em duas moças e manda ver no colo delas? Cara, eu não sei se tu já viu um porra vomitar na tua frente. Cara, é do caralho. Um nojo mesmo. Mas, aí, cara, quando as moças bota a boca no trombone, cara, nem te conto. Liberou geral e foi aquela zoneada. Era outra vez grito, era empurrão, era pernada, era o cacete, sabe como? E o pior foi a gordona. Mete os pés em todo mundo e, ó, não sei nem se foi o vestido que rasgou ou que porra que ela fez, as mamas fica tudo cá de fora. Aí, cara, aí não teve nem jeito. Puxo a mamoada pra mim e não tou nem aí. Quem quisesse que se fodesse, sabe como? E foi do caralho, cara. Quando a filha da puta bota aquela mamoada toda na minha cara, cara, nem te conto. Foi a maior gozada que eu já dei na minha vida. Sinceramente. Que bunda de Marilene, que nada, cara. Aquela peitaria não tem outra. Mas sabe o quê que aconteceu, ainda eu tava mamando na gordona? Isso aí, cara. Isso aí. A chupadora de chefe parte pra cima do xará e quer meter a mão na cara dele, vê se pode. Cara, foi a conta. O xará segura a filha da puta e a filha da puta berra, e não é que o escroto do viado de Seu Pedro quer dar outra de machão? Larga a D. Dores, cafajeste. Aí, cara, fodeu tudo. Fodeu mesmo. O xará manda o puto prá puta que o pariu e mete a mão nos cornos dele, e joga a pirua pra cima da gordona. Óqui, gente. Ou todo mundo se manca, ou esta merda vai pro poço. Cara, quando o xará falou aquilo, tu tinha era que ver. Uma lourona que tava lá do outro lado, daquelas que até santo quer comer, sabe como?, não sei que dá nela, ranca a piruca e empurra todo mundo, e, ó, vai que é mole pra cima do escroto do viado. Pára com isso. Pára com isso. Aí, cara, pra mim danou-se. Ah, já tava de saco cheio, sabe como? E aí, sabe quê que eu fiz, só pra zonear de vez aquela porra? Hem? Isso aí. Mando ver mesmo e, ó, sai que lá vai peido. Sério, cara. Lembra do peidão da gordona? Foi pinto, cara. E, aí, meu irmão, aí fodeu tudo. Fodeu mesmo. A porra da luz apaga e a merda do ventilador vai pro cacete, e foi aquele fuzuê. Mas aí, cara, nem te conto, viu? Baixa um troço em mim, cara, que não tem nem como segurar. Passo as mãos na gordona e, ó, o berro foi até na casa do cacete. Vai cair. Cara, foi do caralho. Fim de mundo mesmo, cara. Nego berrando, nego rezando, nego chorando, nego, sei lá, se cagando e mijando, do escambau, cara. E eu, ó, na minha, sem essa de medo, só rindo. Só esperando baixar a poeira pra mandar outra zoneada, sabe como? Mas, aí, cara, fodeu tudo. Cada um é como é e eu sou do meu jeito, sabe como? Depois da gozada, mulher, pra mim, é home. Marilene fica puta, mas é assim que eu sou, quê que eu posso fazer? Gozei, cabou. Cada um pra seu canto, até o pau levantar outra vez, sabe como? E eu tava nessa, cara, e não é que a gordona cisma de aprontar? Vem pra cima de mim e bota a mão onde não deve, e foi aquela merda. Se tem troço que me torra é filha da puta saliente, sabe como? E ia meter o pé na bunda da filha da puta e quê que a filha da puta faz, cara? Se joelha e pega no meu pau, e, ó, cai de boca em cima dele. Aí, cara, não deu pra segurar. Eu tava puto, tava mesmo, mas não deu pra segurar. Quanto mais a filha da puta mamava, mais eu ria. E era riso, cara, do caralho. Aí, deixei rolar, sabe como? A gordona mama que mama e eu só rindo. E quanto mais eu ria, mais o pessoal se calava, sabe como? E ri tanto, mas tanto, cara, que o pessoal todo se calou. E quando o pessoal se calou, aí, cara, aí eu tava pronto. Prontinho. Peguei os braços e cresci eles, e abracei todo mundo, sabe como? A gordona, a pirua, a lourona, o xará, todo mundo. Todo mundo se borrando e eu abraçando todo mundo, cara. E quanto mais o pessoal se borrava, mais os meus braços crescia e mais eu abraçava todo mundo. E numa boa. Numa de irmão mesmo, sabe como? Mas, aí, cara, a gordona larga a minha pica e dá aquele berro. Ai, meu Deus, que eu vou morrer. Aí, cara, foi a conta. Fiquei puto. Puto mesmo. Ah, vá prá porra. Se não quer acabar, não começa, é ou não é? Cara, cresci o corpo todo e foda-se. E quanto mais os puto se cagava, mais eu crescia, sabe como? E cresci tanto, e tão puto, cara, que o xará mela na minha frente e pede perdão da Marilene. Cara, nem te conto. Garrei a cabeça do filho da puta e, ó, cabei a raça dele. Cabei mesmo. Aí, foi a pirua. Filha da puta, por quê que tu nunca me chupou, hem, filha da puta? O escroto, esse, não deu nem prá saída. Cagou tudo e morreu de boca aberta, como se fosse me chupar, o escroto do viado. Os outros, foi mais ou menos. As moças mija nas calcinhas, a lourona quer me dar e eu não quero, o gravatinha pede pra rezar não sei o quê, e fui levando, sabe como? Nem meia hora depois, todo mundo tava morto. Caladão mesmo, cara. Aí, meu irmão, aí eu tive que decidir. Ou mandava aquela porra pro poço, ou me mandava, sabe como? Aí, me mandei. A Marilene tava me esperando e ela fica puta quando eu não apareço. Aí, cara, acendi a luz, liguei o ventilador, e saí. Subi pela escada e fui à sala do chefe. Cara, foi só o puto olhar pra mim e, ó, foi aquela tremedeira. Mas eu não tou nem aí, sabe como? Mando uma porrada nos cornos do filho da puta e tu sabe o quê que o puto faz? Joelha na minha frente e quer chupar o meu pau, vê se pode. Cara, aí, já viu, ganhei o dia. Mijei na boca do filho da puta e vim embora, sabe como? Aí, cara, fui à lanchonete do térreo e mandei vir um bauru e um refresco. Cara, eu merecia. Eu era mais eu, sabe como?
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quinta-feira, 23 de abril de 2009

Quero do nada... (Pedro Du Bois)



Quero do nada o barulho das coisas
silêncio em que envolvo a noite
onde sombras apresentam tormentas
cães imóveis nas beiradas das casas
zelam o sono dos donos espiam o que quero:

ínfima parte repartida
antes da aurora e do acordar da amante
corpo sobre a cama imensa de vazios
meus pobres pedaços
vontade ânsia angústia e morte recolhidas

nada e tudo rodeado em vida
recolhida nos desvãos das luas novas
escuridão em que os espíritos tateiam as paredes
corpos roçam vontades
mães sobressaltadas na perdição dos sonhos.

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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Suma-dor (Clauder Arcanjo)
















O néctar da noite
exala o augúrio da tarde,
e trescala a dor da madrugada.
Que já perto desponta:
infinita, profunda e pesada.
Macaé-RJ, 18/05/2007

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sábado, 11 de abril de 2009

Interminável (Inocêncio de Melo Filho)
















Para Joyce Mesquita


Colho metáforas nos teus olhos


Deixo-as cair no solo


Dos nossos sentimentos


Para que nada se perca


Para que tudo se transforme


Numa interminável colheita

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quinta-feira, 9 de abril de 2009

Os contistas cearenses (Batista de Lima)




O escritor Nilto Maciel, além de talentoso narrador, prova que é possuidor de raro destemor, ao resolver organizar uma antologia dos contistas do Ceará. Isso porque esta nossa terra é um celeiro de narradores respeitáveis e de contadores de histórias que se consideram gênios da narrativa, tão geniais que toda a literatura russa teria que se curvar para beijar-lhes as mãos. Mas o Nilto Maciel fez sua escolha e saiu-se bem, principalmente pelos comentários e pelos estudos bibliográficos de cada um dos escolhidos. Isso não vai impedir de receber desaforos e rabissacas ao longo de seus dias.Além disso tudo, surpreende o valor didático da obra. É tanto que se for feito o mesmo trabalho em torno da poesia, do romance e da crônica, nós passaremos a ter um panorama completo de nossa evolução literária alencarina. É preciso, no entanto, muita paciência para catalogar tantos autores e tantos textos, além de elaborar um parecer crítico sobre cada um. É exatamente através desses pareceres e da fortuna crítica de cada autor, levantada por Nilto Maciel, que fica patenteada sua performance como pesquisador e teórico da literatura.

Não se pode negar que o autor deve ter tido muito trabalho para, ao longo de 343 páginas, traçar um panorama da arte do conto entre nós. O apoio que recebeu da Secretaria de Cultura, para a edição do livro, através da Imprece, foi fundamental, tendo em vista que das tantas obras que apareceram no cenário cearense em 2008, essa se revela como uma das mais significativas. Não se detectam apadrinhamentos para a veiculação de nomes e textos, nem a presença de defeitos que mereçam ênfase.

A ordem com que os autores aparecem, segue uma via cronológica, o que traz à tona, em primeiro lugar, como representantes do século XIX, apenas Oliveira Paiva e Adolfo Caminha. Nilto Maciel não foi cativado pela infeliz idéia de Braga Montenegro de considerar José de Alencar como contista cearense, nem veiculou os racontos de Juvenal Galeno, de Cenas Populares, todos captados da tradição oral e pesquisados entre os nossos iletrados sertanejos da época. Mesmo assim ele não prescindiu, como fonte principal de suas pesquisas, os ensaios de Braga Montenegro, ´Evolução e natureza do conto cearense´, e de Sânzio de Azevedo, ´O conto cearense, de Galeno ao Grupo Clã´.

Ao longo de sua garimpagem, o pesquisador verificou que o manancial de contistas entre nós é tão vasto que necessária se faz a elaboração de um volume 2 para se contemplarem nomes que não foram destacados neste primeiro volume. Para nós leitores, será também interessante encontrarmos nesse próximo volume, contista do interior cearense, principalmente do Cariri e da Zona Norte, celeiros de narradores em torno do fantástico.

Outra sugestão para Nilto Maciel é de que seria mais profícua a elaboração de um trabalho similar em torno dos melhores poetas e poemas de nossa literatura cearense, nos mesmos moldes desse seu volume sobre contos. Em um momento posterior, o mesmo poderia ser feito em torno de nossa crônica, gênero injustiçado entre nós, mas produtor de valores incontestáveis para a nossa literatura.Mas voltando aos contos, como é bom o reencontro do leitor com narradores como Hermam Lima e Gustavo Barroso, Fran Martins e Moreira Campos, Juarez Barroso e Yehudi Bezerra, Paulo Veras e Natércia Campos, só para citar aqueles que já nos deixaram e foram contar histórias em outras dimensões. Depois, verificar a quantidade enorme de contistas jovens e talentosos surgidos nos últimos dez anos entre nós.

Com relação ao título da obra, Contistas do Ceará: d’A Quinzena ao Caos Portátil, fica clara a delimitação temporal em que se enquadra sua pesquisa. Afinal, antes do surgimento daquele periódico porta-voz do Clube Literário e após a novel publicação organizada por Pedro Salgueiro e Jorge Pieiro, pouquíssimo de contos pode ser constatado nesta nossa terra. Diferentemente do título de sua obra anterior, Panorama do Conto Cearense, de 2005, com essa abrangência indefinida, agora tem-se um trabalho com suas fronteiras bem definidas e de bem fácil compreensão.

Diante disso, bastava para Nilto Maciel, ao confeccionar sua Síntese Cronológica, ao final da publicação, iniciar exatamente em 1887, com o aparecimento de ´A Quinzena´ que ele chama de jornal, mas que na Introdução aparece como ´revista´, e terminar em 2005 com a criação de ´Caos Portátil´. É praticamente insignificante em termos de narrativas curtas, o que nos aconteceu antes e depois desses dois limites, respectivamente. Por isso que Nilto Maciel, diante desse seu criterioso inventário de nossa produção em contos, se inscreve como historiador de nossa literatura, nesse seletíssimo quarteto de pesquisadores, em companhia de Dolor Barreira, Barão de Studart e Sânzio de Azevedo.


(Diário do Nordeste, Caderno 3, Fortaleza, 31 de março de 2009)

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quarta-feira, 8 de abril de 2009

Ruínas (Ailton Maciel)



Meu Próximo, medita em mais: talvez, até,
Lá para o diante, se hoje o punho ultriz levantas.
Verme - talvez alguém te esmague a ti com o pé!

(Júlio Maciel, "Do homem ao verme")

Sinto em mim a dirupção do meu viver,
e da calma que guia e me conduz
no duro labirinto do sofrer,
morre em mim a doçura, a vida, a luz!

Prazer não sinto, nada me seduz,
impassível estou ao padecer,
vendo, dia a dia, aumentar a cruz
que à vida rouba todo seu prazer!

Que importa tudo: – a luz, o ouro ou a glória,
o fracasso, a desonra ou a vitória;
pó, só pó, é afinal, o que somos!

... E quando à vida a esperança roube o mundo
ou a morte venha, só por um segundo
deixamos de ser tudo e o mais que fomos!

Fortaleza, 26/2/65
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segunda-feira, 6 de abril de 2009

José Daniel, rival de Bocage (Adelto Gonçalves)



I
Ao contrário do que muitos imaginam, ao final do século 18, em Lisboa, não eram de Bocage os versos que mais se repetiam na boca dos cultores de poesia. Pelo menos entre aqueles que cultuavam uma espécie de poesia mais popular, senão chocarreira. Não é que Bocage não tenha pago o seu preço ao duvidoso gosto da época — e o fez com abundância, com versos que, mais tarde, lhe garantiriam um lugar de destaque entre autores fesceninos que seriam procurados com outros propósitos que não o de reverenciar a qualidade do poema —, mas é que a maioria de suas composições — digamos assim — mais sérias não atraía esse tipo de gente que freqüentava tascas e casas de pasto nos arredores do Rossio.