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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Três momentos da arte no Brasil (Nilto Maciel)

(Péricles Prade)


A preguiça de janeiro vai passando ao largo. Sinto uma disposição de jumento para trabalhar, com direito a algum descanso à noite e uma ração de capim seco. Como anunciei na crônica “Seis livros de versos e uma preguiça de sétimo dia”, aqui me dedicarei a três publicações de prosa ensaística ou jornalística: Poesia e ficção de Péricles Prade: semas, semantemas, logomatrias (São Paulo: Pantemporâneo, 2011), de Jayro Schmidt; Dossiê Osíris: Péricles Prade (Florianópolis: Redoma; Navegantes; Papa-Terra, 2011), organização e seleção de Marco Vasques e Rubens da Cunha; e Paulo Osorio Flores (Rio de Janeiro: Calibán, 2008), de André Seffrin.

Quem é Jayro Schmidt? Numa das abas do volume está escrito: artista visual e escritor. Antes, em belo texto, se lê: “Jayro Schmidt acredita que a literatura nada mais é do que a aplicação das propriedades da linguagem, princípio que remonta a Paul Valéry. Pois foi com esse procedimento que ele empreendeu um verdadeiro corte ciográfico na poesia e na ficção de Péricles Prade, querendo demonstrar que uma obra a mais imaginária possível, que lida com o obscuro e o desconhecido, não prescinde do rigor em sua escritura, o que pode ser interpretado como osmose entre o que surge e o que é feito”. Na quarta capa está anotado: “Poesia e ficção de Péricles Prade amplia a sua fortuna crítica integrada por importantes nomes, tais como Álvaro Cardoso Gomes, Luz e Silva e Claudio Willer, entre outros. O presente ensaio evidencia, exclusivamente, a relação direta entre linguagem do mundo e mundo da linguagem, característica substancial do autor de Os milagres do cão Jerônimo”.

A obra é assim composta: Introdução; Primeira parte: Poesia; Segunda parte: Ficção; Terceira parte: Imagens multievocativas; Índice onomástico; Bibliografia. Para não me perder em observações de leitor faminto, colherei frases do escritor nascido em Lages: “Com mais de vinte livros publicados em poesia e ficção, Prade, no entanto, é escritor do conciso, da palavra lapidada, clara como é a natureza do pensamento”. São quase 50 páginas (só a primeira parte) de aguda análise da obra poética do autor de Nos limites do fogo. A segunda parte é menor, porém plena da mesma agudeza da primeira, como se pode observar desde as linhas iniciais: “A potencialização narrativa na poesia de Prade somente poderia encontrar suporte adequado no conto que remonta ao oral de sagas, lendas e fábulas”.

O Dossiê Osíris é uma revista. Não, não é uma revista. Osíris, sim, é uma revista, cujos editores são Marco Vasques e Rubens da Cunha. Seja como for, o impresso que tenh0 diante dos olhos tem o seguinte índice (ou bússola de navegação): primeira dentição, entrevista, poemas, prosa, crítica, obras, fortuna crítica, tudo de Péricles ou sobre a obra literária dele. Na “primeira dentição” está exposto o objetivo dos editores: “A Revista Osíris é a nossa escavação de novas trincheiras, é o nosso embate. O que pauta a nossa escolha é a ousadia e a contundência poética”. Há também uma explicação: “Este dossiê acompanha a primeira dentição da REVISTA OSÍRIS (www.revistaosiris.com.br). A cada novo número da revista teremos um novo DOSSIÊ com um artista. O primeiro revela as várias faces do poeta, contista e crítico Péricles Prade. Ele é uma das vozes mais contundentes da poesia brasileira na atualidade, por isso oferecemos ao leitor partes do universo pradeano”.


O segundo homenageado aqui é o artista plástico Paulo Osorio Flores (1926-1957), “pioneiro da pintura abstrata no Rio Grande do Sul”. Informa André Seffrin: Paulo O. F. (como assinava seus quadros), “pintor construtivista e artista gráfico dos mais notáveis do seu tempo”, “atuou com destaque na seção dirigida por Carlos Drummond de Andrade no suplemento literário do Correio da Manhã e em revistas como Rio, Sombra e Quixote”.

O tomo tem capa dura, formato quadrado, papel cuchê. É repleto de pinturas e desenhos do artista gaúcho. Apresentação de Paulo César B. do Amaral, artista plástico e curador independente, que assim vê Osorio: “Transitou por várias técnicas, como um insatisfeito com o que fazia, como um rebelde, ou como um incansável curioso. Em todas elas deixou o rastro de seu brilho, revelado pela unidade assombrosa de uma obra literalmente madura”.

Esta biografia ilustrada do artista Paulo Osorio Flores, por André Seffrin, dá-nos a certeza de que temos memória, sim. Pelo menos, os artistas, os escritores, os homens de cultura artística.

Fortaleza, 29 de janeiro de 2012.

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2 comentários:

carmen silvia presotto disse...

Chegando, retornando e me debruçando em tuas leituras Nilto querido... feliz aniversário que foi ontem e que sejam sempre presentes os teus dias.

Beijos, sempre carinho e desejo de boa semana.

Carmen.

carmen silvia presotto disse...

Hey comentara, mas não sei se entrou, na dúvida refaço minhas palavras...

Dizia que estou chegando para me debruçar por aqui em tuas leituras e junto aproveito para desejar umfeliz aniversário, em tempo, e que sejam de muitos presentes os teus passos.

Beijos e sempre carinho, Nilto.

Carmen.

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