(Anderson Braga Horta)
Em “Toada pra se ir a Brasília” (1), Cassiano Ricardo se confessa impregnado do fastio ante o “azul marítimo”, onde lhe faz mal a paisagem — “Por excesso de azul e sal” — e anuncia peremptório: “Vou-me embora pra Brasília, / sol nascido em chão agreste. / Como quem vai para uma ilha. / A esperança mora a Oeste”. Mas não veio. Jamil Almansur Haddad, tomando o final do citado poema como epígrafe, e lembrando a cantadíssima Pasárgada de Manuel Bandeira, também se revela distanciado amante, dizendo: “Vou-me embora pra Brasília. / Aqui eu não sou feliz. / Lá descobrirei uma ilha. / À sombra dos pilotis.” E, de imediato, arquiteta os planos para a vida nova: “Deixemos a morte e o estrago, / Vamos a um mundo risonho, / Pois se construíram o lago, / Nós construiremos o sonho.” (2) Contudo, assim como o autor de “Jeremias sem Chorar”, Haddad não veio. Quem mais teria cantado a “Capital da Esperança” dentre os que pretenderam vê-la e vivê-la? Não temos conhecimento de outros nomes dentre os nossos poetas dignos de menção. (3)

