Translate

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Cândido Rolim entre a fuga da cidade e a eterna idade (Nilto Maciel)


(Cândido Rolim)

Se não fôssemos escritores, Cândido Rolim e eu nunca teríamos nos conhecido. A não ser por acaso. Ou se nos tornássemos protagonistas de episódios de repercussão internacional, como o assalto ao trem pagador, o crime da Rua Morgue ou o grande desastre aéreo de ontem. Nos jornais, diriam repórteres alarmados e alarmantes: “Morreram, também, o maestro Cândido Rolim e o ator Nilto Maciel. Mergulhadores encontraram, a boiar nas águas...”. Jorge de Lima, o mais singular dos poetas brasileiros, escreveria: “Vejo sangue no ar, vejo o piloto que levava uma flor para a noiva, abraçado com a hélice. E o violinista em que a morte acentuou a palidez, despenhar-se com sua cabeleira negra e seu estradivárius”. Porém, nada disseram, nada dizem, nada dirão, pois somos apenas poetas, como outros, no imenso palco do mundo.

Há mãos (Carmen Silvia Presotto)


A Nilto Maciel


 
Há mãos
que ao contar poemam
escrevem no tempo
libertam amarras
reúnem amizades
e dão às letras liberdade


Há mãos
que ao contar
amam no tempo em que vivem
e por isso, trabalham, dobram espaços,
lutam e transformam horizontes


Há mãos
que ao contar
são o sal da vida.

__________
http://www.vidraguas.com.br/
/////