(Cândido Rolim)
Se não fôssemos escritores, Cândido Rolim e eu nunca teríamos nos conhecido. A não ser por acaso. Ou se nos tornássemos protagonistas de episódios de repercussão internacional, como o assalto ao trem pagador, o crime da Rua Morgue ou o grande desastre aéreo de ontem. Nos jornais, diriam repórteres alarmados e alarmantes: “Morreram, também, o maestro Cândido Rolim e o ator Nilto Maciel. Mergulhadores encontraram, a boiar nas águas...”. Jorge de Lima, o mais singular dos poetas brasileiros, escreveria: “Vejo sangue no ar, vejo o piloto que levava uma flor para a noiva, abraçado com a hélice. E o violinista em que a morte acentuou a palidez, despenhar-se com sua cabeleira negra e seu estradivárius”. Porém, nada disseram, nada dizem, nada dirão, pois somos apenas poetas, como outros, no imenso palco do mundo.

