“Atrás das vidraças / sujas da poeira / da rua // protegidos / e isolados / da poeira / da vida // escondidos / e transfigurados / na poeira / do tempo // guardados / e revelados / na poeira” (Pedro Du Bois)
Na janela discreta está a marca do tempo, na paisagem e no vento. O Sol brilha
e a Lua se esconde entre nuvens. A poeira se desloca para todos os lados e com
movimentos circulares se espalha. Mas o que importa é o que o vento traz ou o
que revela do tempo onde se repete em palavras. A palavra é força da natureza
que, uma vez articulada, vira ação. Segundo Mia Couto, “Varrer as avessas:
em vez de limpar os caminhos, espalhávamos sobre eles poeiras...”

