Cronista que se preza escreve pelo
menos uma crônica sobre passarinho. Esta não é bem uma regra, mas, digamos
conta pontos, acrescenta milhagem, é indicativa de que o escriba cronicou sobre
quase tudo, das pequenas ocorrências fortuitas da vida à existência efêmera de
seres emplumados. É sinal de que uma ponta indisfarçável de lirismo sempre
esteve incluída no seu horizonte de interesses. E o lirismo – isto também não é
uma regra, mas agrega respeitabilidade –, explícito ou embutido, salvo juízo em
contrário, é um componente primordial da boa crônica.
Translate
domingo, 4 de novembro de 2012
sábado, 3 de novembro de 2012
Palavras (Carlúcio Bicudo)
Palavras boiam sobre o
papel,
como pensamento
aprisionado.
São letras aglutinadas pelo
pincel
que desliza suavemente pelo
cartonado.
Algumas palavras são
algemas
que encarceram as letras na
celulose.
Outras formam docemente
poesias.
Refletindo palavras em
simbiose.
O papel é um campo aberto.
Pronto para rimar liberdade
com verdade.
Semeando palavras a florir.
Livros fechados não
reluzem...
Livros abertos simplesmente
traduzem...
Palavras impressas na forma
de luz.
/////
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Quando madrugar, me acorde... (Abel Sidney)
Juninho, com seus seis anos completos
de menino inquieto e questionador, não gostava que o pai mexesse com
galos de briga.
Preferia acompanhá-lo, mesmo noite adentro,
ressuscitando motores enguiçados. O nome de cada peça, que ele exigia que
o pai pronunciasse enquanto consertava, o fascinava – biela, mancal,
virabrequim, bronzina, pistão...
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Esta tristeza (Teresinka Pereira*)

Esta tristeza é como
um cálice de vinho vazio,
como uma voz adormecida
que não alcança a sair de mim
e que não deixa a cintura do tempo
bailar em minha alma
uma nova canção de amor.
Esta tristeza já filtrou
as madrugadas mais sublimes
de imaginadas paixões
com teu corpo sobre o meu,
fogo e doce brisa essencial,
palpitante entrega, delírio clássico
do amor ate a morte.
*Teresinka Pereira,
poetisa brasileira e internacional, tradutora, ensaísta, mora nos Estados
Unidos, onde foi professora de Literatura Brasileira. Dirige a IWA -
International Writers na Artists Association. Endereço: P. O. Box 352048,
Toledo OH 43635-2048, USA.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
O tempo existe (Francisco Miguel de Moura*)
Existe um tempo que sequer sentimos,
existe um tempo que sequer pensou-se,
existe um tempo que o tempo não trouxe,
existe um tempo que sequer medimos.
Existe mais: um tempo em que sorrimos,
diferente do tempo em que chorou-se,
e um tempo neutro: nem amaro ou doce.
Tempos alheios, nem sequer são primos!
Existe um tempo pior do que ruim
e um tempo amado e um tempo de canção,
existe um tempo de pensar que é o fim.
Tempo é o que bate em nosso coração:
um tempo acumulado em tempo-sim,
e um tempo esvaziado em tempo-não.
__________________
*Poeta brasileiro, nasceu em
16.6.933, em Picos, PI, mora em Teresina. Formado em Letras, com pós-graduação em Crítica
de Arte, em Salvador.
/////
Assinar:
Postagens (Atom)
TODOS OS POSTS
Poemas
(615)
Contos
(443)
Crônicas
(421)
Artigos
(371)
Resenhas
(186)
Comentários curtos
(81)
Variedades
(59)
Ensaios
(47)
Divulgações
(26)
Entrevistas
(24)
Depoimentos
(15)
Cartas
(12)
Minicontos
(12)
Prefácios
(9)
Prosa poética
(7)
Aforismos
(6)
Enquete
(6)
Diário
(5)
Epigramas
(4)
Biografias
(2)
Memórias
(2)
Reportagem
(2)
Aviso
(1)
Cordel
(1)
Diálogos
(1)
Nota
(1)
TEXTOS EM HOMENAGEM AO ESCRITOR NILTO MACIEL
(1)
Vídeos
(1)
Áudios
(1)




