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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O Mundo Circundante

Caros amigos e amigas,



estou enviando textos no blog sobre Flash Mob na BienaL de SP, Carlos Pena Filho, Oliveira Lima, Joaquim Nabuco e Gilberto Freyre.


Abraços e boa leitura,
Luiz Carlos Monteiro
Acesse e divulgue 
http://omundocircundante.blogspot.com
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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Exílio (Pedro Du Bois)




No exílio de mim mesmo

passeio tranquilas saudades

em parques verdejantes. Viajo florestas

e mares. Estou na solidão da espera:

avisto navios ao longe.

Não tenho curiosidade em aportar

ao marujo e pedir noticias.

Não é minha hora de chegada.

Retorno na calmaria: ondas

maravilham a terra escorraçada,

meu corpo ilhado em pedras.


Chegar é mistério atravessado ao fio

do desencontro.


http://pedrodubois.blogspot.com/

http://www.veropoema.net/interna.php?page=5&action=show&id=1278

http://luis-eg.blogspot.com/2010/07/dilemas.html

http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/07/27/marcas/
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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Passantes ou ficantes? (Simone Pessoa)

(Quadro de Chico Lopes)


simoneps@fortalnet.com.br

No momento em que escrevo esta crônica, sinto como se outras mãos me ajudassem na elaboração. E não seria diferente, já que, ao longo da vida, encontrei (ou esbarrei em) tanta gente que, inevitavelmente, me legou um pouco de si. Muitas me acompanharam no trajeto por longas distâncias e deixaram marcas indeléveis. Dessas, algumas, para minha alegria, ainda hoje são presentes. Outro tanto de gente acabou tomando outros rumos, atalhos talvez. Houve quem desse meia volta e retornasse não sei para aonde. Algumas, fui eu quem largou pelo caminho. Uma porção apenas atravessou minha estrada no traçar de suas próprias trajetórias. E nesse intercruzamento de percursos, resolvi me deter naquelas que assinalaram minha existência, por instantes que fossem, sem que eu tivesse mais notícias.

Onde andará a Deusimar, minha primeira babá? Dela guardo uma única foto em que, atenta, me segurava nos braços. Ainda estará nesta dimensão? Bill, um garoto do jardim da infância com quem gostava de brincar? Assim como a Sayonara e a Marta, minhas colegas de alfabetização no João XXIII. E o Antônio Neto, também colega daquele colégio, que me ofereceu emprego na fábrica de vassouras do pai?

O Maranguape, o picolezeiro que nos tentava diariamente com seus picolés de ameba deliciosos? Ainda empurrará sua carrocinha pelas ruas da cidade? Seu Jaques, dono da mercearia da esquina da Padre Valdevino com Nogueira Acioly, creio, já não está entre nós.

Onde andará minha colega France, do colégio Cearense? Tão espirituosa, a France! Mas não suportava o apelido que a turma lhe imputou e que não ouso revelar para poupá-la de possível dissabor, caso esta crônica chegue às suas mãos. E por falar no colégio marista, onde andará a Cassundé, austera professora de matemática? A Germana, funcionária sempre de prontidão na secretaria? Tenho curiosidade de saber se o Irapuã, um colega do primário e filho de um funcionário do colégio, se tornou médico, como anunciava naqueles tempos.

O Mauricex Cascavel, meu rival em disputas de ping-pong? A Maura e o Mauro, dois irmãos, cujos rostos não lembro, do tempo em que frequentei a então nativa praia das Flexeiras, onde andarão? O Domingos, o Homero, a Jofo, o Mozart, a Astrid, a Ieda, o Moisés, a Lia – já escrevi sobre ela -, a Virgínia, a Neyla, a Laydilane, a Julieta, o Morais, o Cláudio Henrique, a Tomires, a Nely, os irmãos Marcos e Ilana, a Jonilce... A lista é sem fim. Pessoas de quem ainda lembro os nomes e posso vislumbrar as expressões. Outras, sem rosto, mas que deixaram, pelo visto, algo que guardo em mim.
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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Palpites futebológicos (Manuel Soares Bulcão Neto)



Tenho um amigo cujo filho do meio é esquizofrênico. Sempre que lhe pergunto sobre a saúde do rapaz, ele, que é torcedor fanático do Ferroviário Atlético Clube, responde: "Continua como o Ferrim: quando a gente pensa que está melhorando, piora." Ocorre que não é apenas o Ferrim que se comporta desse jeito.

Na verdade, não é esse time outra coisa que a expressão caricata de todo o futebol da parte de cima do Nordeste (o potiguar, o cearense, o piauiense…), que está mais para o da Nicarágua e Ilhas Fiji do que para o do sul do País. Sim, até na pelada o Brasil é terra de contrastes - e mais uma vez fiquei no lado sofrível.

Por isso, sendo brasileiro "apesar" de cabeça chata, esforço-me para torcer apenas pela Seleção Canarinho. O problema é que não consigo. Por mais que tente, termino retornando aos estádios e ao Alvinegro, nem que seja para, amargurado, torcer contra. (O futebol tem mesmo um elã encantatório, um quê religioso.)

Na ocasião da presente Copa (2010), andei especulando sobre as razões da imensa popularidade do futebol ("soccer"), e tenho tido alguns "insights". No caso do Brasil, vislumbro como uma das razões a tradição da capoeira – uma luta com as pernas – que, aliada ao gosto infantil pelos dribles no pega-pega (fez que ia, não foi e acabou "fundo") e com a tendência à simpatia pelos mais fracos, ensejou as primeiras torcidas. De fato, devia ser hilariante ver negros longilíneos escapando das correntes e do pelourinho na base da esquiva desconcertante e da rasteira, deixando tontos os seus feitores ("diminutos portugueses com expressões assassinas", conforme definição de Darwin no "The Voyage of the Beagle").

Além da simplicidade das regras – exceto para a minha mãe, que até hoje não entende esse tal de impedimento – e do material necessário para a prática do esporte, outra razão global do sucesso do futebol está no fato de as partidas serem decididas, no mais das vezes, com escores mínimos, de modo que a alegria, em vez de se diluir em cinquenta cestas, como acontece no basquete, ela se concentra em um ou dois gols em média. É mais ou menos o que ocorre numa relação sexual entre apaixonados: muitas carícias preliminares e, de repente, o orgasmo - uma explosão de dopamina, o prazer em clímax. Daí a relação de paixão irracional entre as torcidas organizadas dos "fieis" e seus times.

Daí, também, que torcer pela seleção nacional é como fazer amor com a pátria em que nós, os torcedores, somos os passivos da relação e, portanto, sujeitos às ejaculações precoces do parceiro, às suas impotências circunstanciais, aos seus momentos de virilidade exuberante…

Demais, o fato de os placares encerrarem-se com poucos gols, isso aumenta significativamente o papel da sorte ou do azar – i.e., do acaso – no resultado final. Por isso que, principalmente para quem torce por clube ruim, isto é, pela zebra, futebol é jogo de azar. Ora, todo mundo sabe que jogo de azar vicia mais que o álcool e talvez tanto quanto a heroína. E, segundo Freud, em jogatina a maioria dos jogadores aposta não para ganhar, mas para perder: inconscientemente, o jogador (no caso, o torcedor) quer expiar um sentimento de culpa abscôndido. A propósito, tenho quase certeza de que aquele meu amigo doente pelo Ferroviário é um desse tipo: um adicto da "zebrinina", um futebólatra.
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sábado, 7 de agosto de 2010

Retratos a óleo: “Passar é ficar sempre" (Tânia Du Bois)


“Que o tempo passa, vendo “retratos” no lugar que está, sentindo a vida desconhecida nascer em mim, procurei encontrar o que o mesmo foi esquecido...” Lêdo Ivo

Sobre o livro “Imagens Negociadas”, de Sérgio Miceli, traço algumas pinceladas. O livro faz uma análise mais sociológica do que artística. A tese de Miceli é a de que o retrato brasileiro é uma espécie de coluna social feita a óleo; defende que o retrato é sempre uma “imagem negociada” e que funciona como arma de marketing pessoal.

Ao tirar essa máscara, pergunto, será que não encontramos arte verdadeira nesses retratos pintados? Por exemplo, o retrato da Mona Lisa é sinônimo de arte.

Antigamente os pintores tinham a pretensão de fazer arte quando produziam retratos, mas nem sempre o retrato foi feito de forma adulatória. Mário Quintana mostra: “Há uma cor que não vem nos dicionários. É essa indefinível cor que têm todos os retratos, os figurinos da última estação, a voz das velhas damas, os primeiros sapatos, certas tabuletas, certas ruazinhas laterais: - a cor do tempo...”

Mário de Andrade, por exemplo, foi retratado por divas como Anita Mafaltti e Tarsila do Amaral e, no caso, em troca de notas jornalísticas avalizando os dotes artísticos das retratistas; mas cada pintora colocou na tela o Mário que desejou, sem perder sua criatividade, porque, mesmo assim, seus trabalhos são considerados como arte. Tanto a arte de pintar, quanto a arte de escrever de Mário de Andrade .

Até o grande Portinari pintou Getúlio Vargas, nos anos 30, e seu modelo foi uma fotografia, o que também pode ser chamado de arte. E qualquer traço vindo do mestre Portinari é e sempre será arte.

Também nos anos 30, Flávio de Carvalho fez bons retratos e conseguiu impor sua marca expressionista; reconhecida e valorizada até hoje. Sem contar que muito do que se produziu na pintura, até o final do século passado, foi composto por retratos.

Atualmente o retrato é desprezado e é tão caro que talvez não sejam feitos mais, porém, será sempre considerada obra de arte.

O retrato teve o seu papel no passado, de funcionar como coluna social, de ser feito apenas pela elite e de retratar, como vejo hoje, as pessoas com quem os pintores se relacionavam.

Enfim, mesmo o retrato sendo negociado, não perde o seu valor artístico. Expressar, pintar, pincelar, captar as linhas, demonstra criatividade: quem sabe olhar o real geometricamente retrata para sempre. Pedro Du Bois conduz em palavras poéticas:

“Imagens / figuras traduzidas / iconográficos / retratos inacabados /

ao abrirem as luzes // a modelo / nua / se adianta à roupa / não contida

na pintura // o retrato guarda / a instantânea forma / de se dizer eterno /

de se dizer duradouro / de se permitir esmaecer / na sobriedade da pose”.
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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Um pouco de boa música

Lêdo Ivo, poeta e ensaísta (Adelto Gonçalves*)

I

Grandes poetas, geralmente, resultam em grandes ensaístas. Talvez pela necessidade que têm de sistematizar em ideias aquilo que, muitas vezes, é atribuído apenas à inspiração, embora se saiba que os chamados poetastros só conseguem escrever versos de pés quebrados. Afinal, não dá para imaginar um poeta inspirado que não conheça a fundo o seu ofício, isto é, que não seja um grande teórico, o que significa horas de leitura e conhecimento.

Só de uma enfiada pode-se lembrar aqui de alguns poetas que cumpriram com rigor esse duplo papel: T.S.Eliot (1888-1965), Charles Baudelaire (1821-1867) e Octavio Paz (1914-1998), entre os de outras línguas; Fernando Pessoa (1888-1935) e José Régio (1901-1969), entre os portugueses; e Mário de Andrade (1893-1945), Oswald de Andrade (1890-1954), Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) e Paulo Leminski (1944-1989), entre os brasileiros.

Entre os brasileiros vivos, há pelos menos três que são tributários dessa estirpe e cumprem esse papel anfíbio: Alberto da Costa e Silva, Ivan Junqueira e Lêdo Ivo, todos membros da Academia Brasileira de Letras. Haveria outros, ainda que não acadêmicos que não fogem dessa linhagem, como Mário Chamie, Cláudio Willer, Moacir Amâncio e Álvaro Alves de Faria – só para ficar com paulistas –, mas é de Lêdo Ivo que se quer aqui falar a propósito de seu O Ajudante de Mentiroso, reunião de 24 textos ensaísticos curtos produzidos em épocas distintas e a respeito de temas diversos, incluindo participações em solenidades acadêmicas e fóruns universitários.

Em Lêvo Ivo, como em Junqueira, é nítida a influência do ensaísmo anglo-saxônico, especialmente de Eliot, para quem o ofício não exigia uma postura rígida nem solene, mas um estilo coloquial, exatamente aquilo que o ensaísta alagoano constata em José Lins do Rego (1901-1957) que, se não foi poeta, mas romancista, ao reunir impressões de um passeio a Europa na década de 1950, escrevia “à maneira de um Montaigne (1533-1592) ou um Stendhal (1783-1842) – como se a viagem fosse uma conversação”.

Como muito bem observou Eugénio Lisboa em recensão deste livro publicada no Jornal de Letras, de Lisboa, de 23/3/2010, a referência ao francês Montaigne não é fortuita nem invalida a observação inicial que consta do parágrafo acima. Pelo contrário. “Esta alusão ao mestre francês não deixa de ter significado incisivo, porquanto foi ele o pai do ensaio de Bacon (1561-1626) e de todo o grande ensaísmo anglo-saxônico, caracterizado por uma conversa altamente civilizada, mas informal”, diz Lisboa.

É o que, em outras palavras, afirma Lêdo Ivo ao observar, em relação a José Lins do Rego, que “a grande lição do ensaio ocidental é o da literatura em língua inglesa, com os seus ensaístas informais, que escrevem sobre ruas tortas, cemitérios, cidades, viagens, cenas cotidianas, sonhos. E esse tipo de ensaio praticado pelos ingleses, se por um lado se distancia inapelavelmente do eruditismo predatório que grassa entre nós, por outro se aproxima da nossa crônica de jornal”.

Para Lêdo Ivo, um bom ensaísta é um cronista culto, que sabe escrever. “E uma apostila não é um ensaio”, acrescenta, de modo peremptório. De fato, ao contrário do que imaginam certos ensaístas saídos de cursos de doutorado de nossas principais instituições, escrever bem não é escolher palavras desusadas nem construir parágrafos herméticos e quilométricos que levam o leitor a interromper a leitura para voltar ao princípio da frase que já esqueceu por tédio ou fastio e reencontrar o fio do pensamento.

II

Se a observação serve para definir o ensaísmo de José Lins do Rego, cai à medida também para explicar o que Lêdo Ivo entende por ensaio. Pois é com essa “prosa lépida e nervosa” que identifica no romancista paraibano que ele, no ensaio “Os modernismos do século XX”, investe contra certa postura de professores da Universidade de São Paulo (USP) de outros tempos que, por regionalismo ou sabe-se lá por que, transformaram a Semana de Arte Moderna de 1922 no acontecimento mais importante da vida cultural brasileira no século passado. E que professores mais moços, talvez por desídia ou excessiva reverência a nomes consagrados, preferem não revisar.

Segundo Lêdo Ivo, há mais de meio século, a USP, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Pontifícia Universidade Católica (PUC), de São Paulo, e outros órgãos pedagógicos, culturais, editoriais e jornalísticos procedem a uma verdadeira lavagem cultural em dezenas ou centenas de milhares de jovens estudantes. “Professores e pesquisadores, guiados e monitorados por mestres influentes erigidos à cômoda condição de monstros sagrados (ou monstros leigos, inaposentáveis), recebem e propalam sempre a mesma lição: a da dimensão providencial da Semana de Arte Moderna de 1922 e do papel seminal que teria exercido o Modernismo paulista na elaboração da vida cultural do Brasil no século XX”, diz, ressaltando que “inumeráveis teses de mestrado – e que são, na realidade, dóceis ou bisonhos atestados de amestramento – repetem exaustivamente o tema, já convertido numa cláusula pétrea da literatura nacional”.

III

É com razão que Lêdo Ivo se levanta contra essa “verdade” consagrada em compêndios universitários idealizada por quem imagina que os acontecimentos seguem uma seqüência natural, pois, de fato, nada há que sustente que o romance do Nordeste da década de 1930 tem de estar obrigatoriamente atrelado ao Modernismo paulista ou que Geração de 45 seja tributária do movimento de 1922.

Essa é apenas uma de tantas outras “idéias” que se converteram em “cláusulas pétreas” na História brasileira das quais poucos se dispõem a discordar. Outra é que a conjuração mineira de 1789 constituiu uma etapa de um processo independentista que culminaria com a Independência de 1822.

Mais uma é chamar de Revolução de 30 (assim mesmo com maiúscula) um golpe militar dos mais salafrários como todo golpe, que não passou de uma rearrumação de elites carcomidas no poder. Até porque não há nada que garanta que o Brasil seria melhor ou pior se a República Velha (1889-1930) tivesse sobrevivido mais quinze anos. Pelo menos aquelas elites tinham certo verniz cultural que haviam trazido de Paris. E o País? Ora, o País, certamente, seria tão atrasado quanto o é hoje, com suas legiões de miseráveis e seus alarmantes níveis de violência social.

Aliás, se aqueles que tomaram o poder em 1930 tivessem alguma preocupação cultural teriam aproveitado a década para criar em algum lugar de suas regiões uma universidade do nível da USP e, se não o fizeram, é porque o que queriam mesmo era igualmente usufruir o direito de sugar as tetas do erário da Nação, a exemplo do que fizeram até então os cafeicultores paulistas e seus associados durante a República Velha, como observou Lima Barreto (1881-1922) em vários textos reunidos em Toda Crônica, volumes I e II (Rio de Janeiro: Editora Agir, 2004). E, no entanto, foram os representantes das elites derrotadas em 1930 e 1932 e o interventor federal da ditadura em São Paulo que criaram a USP em 1934.

Se tivesse surgido uma universidade do porte da USP no Nordeste àquela época, com certeza, o romance nordestino da década de 1930 é que teria sido ungido a acontecimento mais importante da literatura brasileira no século XX. Até porque o reconhecimento cultural sempre andou atrelado à importância econômica da região daqueles que produzem os fatos. Ou será que, se James Joyce (1882-1941) fosse brasileiro e escrevesse em português, o romance Ulisses (1922) seria reconhecido como um divisor de águas na literatura mundial?

IV

Para Lêdo Ivo, o Modernismo de 1922 não passou, “em muitos de seus aspectos, de uma rumorosa e festiva repetição, um gracioso plágio, uma astuta clonagem do primeiro e seminal Modernismo deflagrado em 1836, como comprovam os manifestos assemelhados, a postura selvático/internacionalizada de alguns de seus corifeus, e o empenho de abrasileiramento e coloquialização da nossa língua”. E quem há de dizer o contrário? Até a idéia da antropofagia foi clonada dos Essais de Montaigne, lembra.

Nem por isso se pode negar os méritos de Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia (1892-1988), Ribeiro Couto (1898-1963), Raul Bopp (1898-1984) e outros, embora o maior de todos os modernistas -- até porque precursor do movimento -- tenha sido o pernambucano acariocado Manuel Bandeira (1886-1968), cuja poesia não envelheceu tanto quanto a dos demais.

V

Mas não se imagine que Lêdo Ivo alimenta qualquer parti pris contra São Paulo. Na verdade, o ensaísta é reconhecidamente generoso com aqueles que lhe proporcionaram algum deleite ou emoção a partir da leitura de seus textos, independente de onde nasceram. E isso inclui não só os grandes mestres universais como brasileiros de todas as latitudes.

É assim que, em “A propósito de Orígenes Lessa”, reconhece o talento de um escritor que, embora dono de vasta obra, que inclui romances, novelas, contos, reportagens e livros de viagem, não teve o lugar que merecia na história da Literatura Brasileira. Orígenes Lessa (1903-1986), observa Lêdo Ivo, foi um raro escritor que sempre soube usar o diálogo em seus romances e contos, a ponto de fazer com que “a ação das histórias e a psicologia dos personagens se revelem através da dialogação”.

Por isso, foi um dos poucos, como Alcântara Machado (1875-1941), que fez desfilar em sua obra uma variada população da cidade de São Paulo: os carcamanos, os paus-de-arara (dos quais saiu até um presidente da República), os japoneses, os provincianos da grande metrópole, os caipiras, os chineses, as prostitutas, os trocadores de ônibus. “É realmente notável a capacidade que ele tem de mobilizar pequenas vidas e pequenos destinos”, diz o ensaísta.

Por aqui se vê quanto vai perder quem deixar de ler estes pequenos textos ensaísticos de Lêdo Ivo que, reunidos, dão uma visão pouco usual da Literatura Brasileira, a ponto de resgatar até um esquecido modernista, Geraldo Ferraz (1905-1979), e seu romance Doramundo, publicado em 1956 por um suposto Centro de Estudos Fernando Pessoa, de Santos, mas escrito em boa parte na cidade de São Paulo em 1952 e concluído em outubro de 1955 em dias de descanso em Praia Grande.

Quantas cidades não dariam a vida – se é que cidades podem ter vida – para ostentar esse privilégio? Pois é, ao que se sabe, a Prefeitura de Praia Grande ainda mantém o nome do ditador Garrastazu Médici (1905-1985) dado em tempos nebulosos para sua biblioteca pública, que, por estes dias, passa por reformas. Santa ignorância.

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O AJUDANTE DE MENTIROSO: ENSAIOS, de Lêdo Ivo. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras/Editora Universitária Candido Mendes (Educam), 349 págs., 2009. E-mail: cmendes@candidomendes.edu.br
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(*) Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e Bocage: o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003). E-mail: marilizadelto@uol.com.br
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Terroir (Ronaldo Monte)

(Quadro de Chico Lopes)

Para Fátima e Waldir

Conversar fiado é uma arte. Sexta-feira de noite, então, é a mais necessária e imprescindível. Principalmente se você estiver na cozinha da casa dos amigos comendo pão com café, ambos feitos na hora. E se depois houver a possibilidade de rolar um vinho italiano, aí a conversa fiada se torna uma questão de sobrevivência.
Uma boa conversa fiada é aquela que se confunde com uma sessão coletiva de livre associação. Deixa-se a prosa à deriva, seguindo para onde bem quiser, ao sabor das mínimas circunstâncias e ressonâncias.
Sexta-feira passada, por exemplo, estávamos na tal cozinha, já no momento de passar do pão com café para o vinho italiano. Numa das prateleiras do armário havia um rótulo de manteiga, resto de uma viagem à França, anunciando que o produto era de Terroir. Não importa muito quem primeiro tocou no assunto, mas a minha posição era a de que a classificação de Terroir só era aplicável aos vinhos. O dono da casa, especialista em me contrariar nas minhas afirmações categóricas, falou qualquer coisa sobre a complexidade do termo, que ia muito além da simples demarcação geográfica de uma região agrícola. A dona da casa, por sua vez, que adora me ver derrotado em minhas opiniões, foi lá dentro e voltou com uma página impressa do Wikipedia que me dava um pouco de razão, mas puxava a brasa para a sardinha do marido. Minha mulher não disse nada, mas eu adivinhava o quanto estava saboreando a derrota iminente da minha posição.
Não me lembro bem do final da discussão. Aliás, a boa conversa fiada é aquela que não leva a conclusão nenhuma. É uma estratégia para se voltar ao assunto numa próxima reunião. O importante é que o tema seja instigante o suficiente para se passar do café ao vinho e deste ao licor ou coisa mais perigosa que nos entregue ao abandono do convívio despretensioso.
Independente de qualquer definição, havia uma compreensão comum sobre o significado da palavra terroir. O território, o rincão que nos tornava iguais em nossas diferenças era o lugar mesmo em que discutíamos. Aquela cozinha era o nosso terroir, assim como são todos os lugares em que os amigos se encontrem para jogar conversa fora e se querer bem.

Visite meus blogs:
blog-do-rona.blogspot.com.br
memoriadofogo.blogspot.com.br
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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Os trilhos cruzados de Silvério da Costa (Nilto Maciel)

(De boné, Silvério da Costa)


Conheço (nunca o vi) Silvério da Costa há muitos anos. Talvez desde 1989, ano de publicação de seu primeiro livro, Retalhos da existência. Escreve e publica sem parar. Mas sem pressa. Escreve poemas e artigos, resenhas, notas de leituras. Que publica em jornais. Envio-lhe meus livros; ele os lê e comenta. Com muita atenção e sabedoria.

domingo, 1 de agosto de 2010

Tempo (Emanuel Medeiros Vieira)




Em memória de Evandro Magalhães e de Stuart Angel
Para Maura Soares


Dizei-me em tempo o que é o tempo?
Senhor, antes de cruzar a ponte, Ensinai-me:
linha reta de eterna agonia?
bússola na encruzilhada?
Sim, o choro de uma menina nascida na luz de agosto,
de um menino junto à flor de maio.

É o vento?
O espaço?
O mar?

Meus mortos não me respondem, Senhor.
Tempo: não o retenho -
areia da praia que escapa da mãos.

Lapso no cosmos,
cometa errante,
eu sei, Senhor: assim sou:
pretérito menino contemplando a gaivota,
sentado no trapiche da Praia de Fora.

(Salvador, julho de 2010)
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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Poemas de Inocêncio de Melo Filho

(Mosteiro dos Jesuítas, Baturité, Ceará)

Vitória

Os sinos dobraram
Não os escutei
O sono venceu o cansaço
E a minha ida ao templo.
(09/05/10)


Ao que ficou

Para Danyhele

Nossas faces frente a frente
Bocas na mira
O beijo não veio
Nem foi
Ficou o desejo desenhado
Nos meus lábios.
(04/05/10)

Lição do tempo

Eu sou poeta
Funcionário público e pai de família.
Já fui o herói dos meus pimpolhos
mas o enredo se transfigurou.
A nova trama me assusta
Perdi o domínio do texto
e minha voz se perdeu no barulho.
O tempo me diz que é assim mesmo.
Subsistir é o princípio
para que se alcance o final da história.
(12/06/10)

http://www.transitoriodiamante.blogspot.com/
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terça-feira, 27 de julho de 2010

Borges (Emanuel Medeiros Vieira)

É vasta a nossa população de mortos.

O mundo, Borges,

infinita biblioteca, além – é claro – de tigres,

espelhos, labirintos, punhais, livros, proféticos

sonhos, Homero, Camões, outros cegos – você,

a sombra enaltecida não é sombra,

claridade de alguns labirintos,

portas, enigmas decifrados,

alta capacidade mnemônica.


Somos poucos, somos tão poucos,

e parecemos muitos.

“Alguém constrói Deus na penumbra”, escreves sobre Spinoza.

Amor?

É o Espírito Santo que nos escreve?

A literatura como sedução/invenção: a vida só não basta.


Irmão: fazedor de enigmas,

decifrador de espelhos,

contemplador de tigres,

este punhal que manejo agora: a construção do poema.

Nada podemos contra a solidão?

Shakespeare, Cervantes, Stevenson, “As Mil e Uma

Noites”, a Bíblia, e toda as obras desta estirpe de

mortos, mas que não inventam o silêncio: estão aqui nos livros lemos.


Somos poucos, mestre, somos tão poucos, mas não sozinhos,

parecemos muitos.

Estás junto aqui, agora, comigo,

neste maio,

luminosa manhã planaltina

(poderia ser uma rua perdida de Buenos Aires, ou da

Bahia, onde começamos).


Sim, é vasta a nossa população de mortos,

Só queria pressentir tua alma,

descobrir meus inquietos córregos, pântanos.


Iluminas o breu, mágico cego,

singrando por outros mares,

sem portulanos, astrolábios,

também breve a vida,

vejo intrusos, lugares remotos, mapas de

fronteira, duelos, a morte na poeira,

ruínas e renascimento, sombras dentro de sombras: este sol interior.


O mais pródigo amor te foi outorgado

(como te referiste a Baruch Spinoza):

o amor que não espera ser amado.



Este poema obteve o 1° Lugar no Concurso Literário “Prosa & Verso”, certame de âmbito Nacional promovido pela Universidade e pela Prefeitura de Caxias do Sul, RS. O mesmo texto – concorrendo com 751 trabalhos – foi classificado entre os 10 primeiros no Festival de Poesia promovido pela Funarte, Brasília.
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terça-feira, 20 de julho de 2010

Flores & frutos (Pedro Du Bois)



Compre na passagem

um ramalhete simples

e enfeite

a sala de visitas



tenha a visão

do jardim de ontem



aspire o perfume

como sonho encontrado

de situações futuras



refaça as flores no vaso

retire as hastes

diminua o tamanho

equilibre a disposição

entenda a beleza

decorrente da combinação



a sala resplandece nas cores

silvestres das flores

e o jardim se faz breve

na efemeridade

da vida e morte.

(Pedro Du Bois, em FLORES & FRUTOS)
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domingo, 18 de julho de 2010

Versos frios (Silmar Bohrer)


Andei buscando no frio

algum versinho faceiro,

mas o pensar é vazio

neste inverno caborteiro.



Típica tarde hibernal,

os ares, a névoa, chuvinha,

meus versos, a ladainha

do meu mundo magistral.



Ventos ora vêm, ora vão

nestas borrascas julinas,

e parecem assombração

em cantorias cantorinas.



Daquelas tardes sombrias

sem nenhum encantamento,

eu e os versos num só lamento

metidos em borrascas frias.



Hora de juntar os pelegos,

tempo de sombra nos caminhos,

cobertor de orelha, arreglos,

os meus versos e meus vinhos.



Pássaros cantam chorosos

nos ramos, na galharia,

reclamam em cantoria

destes dias hibernosos.



Santos ventinhos julinos

já totalmente hibernais,

ventos lúgubres, teatinos,

clamais, chorais, penetrais.



Nesta borrascas de julho

o tempo é mesmo inclemente,

fazendo de cada um impotente,

reduzindo eu e você num bagulho.



Os ventinhos hibernais

que chegam das cordilheiras

são mensagens ligeiras

que passam e não voltam mais.



Borrascas, borrascas, borrascas,

sombrias, sombrias, sombrias,

nevascas, nevascas, nevascas,

invernias, invernias, invernias.



Daquelas manhãs hibernais

tipicamente geladas,

a aura, as brisas molhadas

têm os modos infernais.



Andam ventinhos hibernais

neste julho, nas borrascas,

respiram viventes às vascas

com os friozinhos que tais.

15/07/10

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Arthur Azevedo resgatado – Adelto Gonçalves (*)

I

Se não têm a transcendência inata da obra-prima que carregam os textos de Machado de Assis (1839-1908), aos contos de Arthur Azevedo (1855-1908) ao menos não se pode acusá-los de terem envelhecido. É o que pode muito bem constatar quem se dispuser a ler Contos de Arthur Azevedo: os “efêmeros” e inéditos (Rio de Janeiro, Editora PUC-Rio/Edições Loyola, 2009), com organização, introdução e notas do pesquisador e professor Mauro Rosso.

Graças ao trabalho de garimpagem de Rosso, o leitor terá logo a surpresa de encontrar um texto inédito, o conto “A viúva”, que Arthur Azevedo enviou ao Correio da Manhã, onde escrevia aos domingos, para concorrer à vaga aberta por si mesmo, devido à decisão da direção do jornal de substituí-lo por outro colaborador. Assinado por pseudônimo, o conto foi publicado. Então, Arthur Azevedo revelou o estratagema à direção, deixando claro que interesses subalternos ou julgamentos equivocados estavam por trás da decisão de defenestrá-lo da redação. Diante disso, Arthur Azevedo pediu demissão, pois agora quem não queria mais escrever no periódico era ele.

Embora injustamente esquecido nos dias de hoje, Arthur Azevedo é um dos melhores e mais profícuos contistas da literatura brasileira de todos os tempos, como observa Mauro Rosso, lembrando que “nenhum outro o sobrepujou na arte de fixar o aspecto ridículo da vida íntima da sociedade de então, principalmente a de certos círculos da classe média do Rio de Janeiro”.

Ao seu tempo, o panorama literário era dominado por nomes como Machado de Assis, Coelho Neto (1864-1934), Raul Pompéia (1863-1895) e seu irmão Aluísio Azevedo (1857-1913), mas quem gozava mesmo de popularidade era Arthur Azevedo. É provável que seus contos tenham sido até mais lidos que os de Machado de Assis.

II

Embora tenha sido considerado depois de sua morte um autor menor, superficial, fútil e vulgar, esse é julgamento que não se justifica e que pode estar ligado à antipatia que colhera entre seus contemporâneos, talvez por ter sido um florianista intransigente, que via no marechal Floriano Peixoto (1839-1895), apesar de seu autoritarismo e despotismo, a preservação do ideário republicano que havia nascido das casernas. Um deles teria sido Ubaldino do Amaral (1842-1920), advogado, jurista, senador e literato de certo renome ao seu tempo. Cronista, teatrólogo e poeta, Arthur Azevedo sempre foi homem de opinião formada e, por isso, teve alguns problemas com a censura policial da época, que lhe vetou algumas peças.

Antiescravagista de primeira hora, publicou muitos artigos e crônicas defendendo o fim do iníquo regime que envergonhava o Brasil diante do mundo civilizado. E uma de suas peças “A família Salazar”, escrita seis anos antes da abolição de escravatura, foi vetada pela censura imperial.

III

De um lado, este livro reproduz integralmente a edição original da obra Arthur Azevedo: contos efêmeros (Rio de Janeiro, Typographia C.R.C., 1897), de outro traz contos publicados originalmente em periódicos, recolhidos e reproduzidos por Mauro Rosso a partir de suas fontes primárias indicadas em cada um dos textos.

Além de uma breve cronologia da vida e obra do autor, a obra traz notas que muito ajudam o leitor a contextualizar fatos e localizar logradouros que hoje não mais existem ou que tenham tido seus nomes trocados. Se há algum reparo a fazer nesta edição primorosa é um cochilo que se constata na primeira nota para o conto “A dívida” e que se refere à rua de São José, que é tomada pela famosa via carioca na Esplanada do Castelo, quando pelo texto se vê que o autor se refere à rua de São José em São Paulo, onde viviam num quarto alugado Montenegro e Veloso, os personagens principais, ao tempo em que cursavam a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.

Nos contos de Arthur Azevedo, como bem observa Mauro Rosso, a mulher, protagonista marcante, é desenhada ora com traços carinhosos e afáveis, ora desprovida de escrúpulos, capaz de qualquer coisa para satisfazer seus desejos fúteis, como aquela personagem de “O Tinoco” que, embora casada, apaixona-se por um toureiro e vive a imaginá-lo em seus braços a ponto de confundi-lo com um ocasional passageiro de bonde, descobrindo o logro só depois de ir com ele a um hotel suspeito.

É verdade que não se pode acusar Arthur Azevedo de machista ou outro adjetivo que acabaria por nos levar ao anacronismo, ao julgar-se com os olhos de hoje uma sociedade que já não existe, até porque o autor trata da infidelidade e o adultério de maneira igualitária entre homens e mulheres. Em todos os casos, o que se sobressai é o ridículo da situação.

Se até hoje Arthur Azevedo não tem recebido o justo reconhecimento que sua ficção mereceria, é de imaginar que a partir deste trabalho de arqueologia literária de Mauro Rosso sua importância seja finalmente resgatada. E que os autores de antologias dos melhores contos brasileiros de todos os tempos não se limitem a reproduzir conceitos que foram elaborados há muito e que acabam consagrados porque quase ninguém vai conferir nas fontes primárias o real valor de certos escritores. Foi o que fez Mauro Rosso que, dessa maneira, ajuda a Literatura Brasileira a redescobrir um de seus grandes autores que estava submerso, vítima da incompreensão de alguns críticos.

IV

Pesquisador, ensaísta e escritor, Mauro Rosso é autor de Uma proposta para a prática pedagógica (2002); São Paulo, a cidade literária (2004), Cinco minutos e A Viuvinha, de José de Alencar: edição comentada (2005). Colaborou em Machado de Assis e a economia (organização de Gustavo Franco, 2007) e preparou a antologia Machado de Assis e a política: crônicas (Senado Federal).

Pelas editoras PUC-Rio/Edições Loyola, publicou em 2008 Contos de Machado de Assis: relicários e raisonnés e prepara para publicação os seguintes textos: Escritos poéticos de Euclides da Cunha; Os contos argelinos e outros textos recuperados de Lima Barreto; Queda que as mulheres têm para os tolos: Machado de Assis, o subterfúgio, o feminino, a transcendência literária; e Gazeta de Holanda: os versiprosa de Machado de Assis.

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CONTOS DE ARTHUR AZEVEDO: OS “EFÊMEROS” E INÉDITOS, de Mauro Rosso (organização, introdução e notas). Rio de Janeiro: Editora PUC-Rio/Edições Loyola, 275 págs., 2009. E-mail: edpucrio@puc-rio.br editorial@loyola.com.br
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(*) Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003). E-mail: marilizadelto@uol.com.br
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