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domingo, 14 de outubro de 2012

Âmagos (Luiz Martins da Silva)

Em dedicatória à comunidade Grupecj (UFPB)

 
I
Tudo tem anima,
Pessoas têm planos.
Eu, tu, nós: âmagos,
De entoar salmos.

II
De tudo o que somos,
Já o sabemos
No prazer do sabor
Do saber soando.

III
Por agora, grãos,
Logo, logo, seiva.
Do que o vento folheia
Para além do pólen.

IV
Deus não tem dor,
Muito menos fim.
E se Os somos filhos,
Tons dos mesmo Dom.

V
Daí, o amor, dádiva
Dos dedos às mãos.
Abraçar sem cisma
A si próprio irmãos.

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sábado, 13 de outubro de 2012

Há um mês... (Clauder Arcanjo)




... há um mês que não escuto a tua voz rascante, teu suspiro de cobrança, teu passo cortante, nem teu bafejo de estio.
Há um mês que teus braços esguios não me arrocham, a cobrarem segredos inexistentes, num garrote longo e gostoso, apesar de louco e, raras vezes, enervante.
Há um mês que tu te foste, e eu fiquei. Fiquei... De início, aliviado, confesso agora. Para, poucos dias depois, vagar a esmo, sem norte e desajeitado. Tal qual um fantasma, espectro de mim mesmo, estiolado e sem destino.
Há um mês que sonho com o pesadelo da tua volta. Venha logo, vai.
...
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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Eu sou de água (Teresinka Pereira)


 









 (Borboletas, in jampawlak.com.br)
         
“Eu sou de água”.
Sou também de flor
e de sol.
Sou uma corola
mordida de esperança.
Mas se chegas
a ferir a minha alma,
eu me faço de pedra
e me precipito
sem compartilhar
o meu único sonho.

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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Deusa (Francisco Miguel de Moura*)



 (Gustave Courbet, Mulher nua com cachorro)

Era uma deusa humanamente bela,
de olhos molhados a deitarem luz,
sobre perdidos corações sem cores.
Desprendia paixões nos seus encantos.

Da carne, o cheiro, a tepidez, o orvalho
eram pingos da tarde... E a noite vinha.
Mas o brilho dos olhos tão intenso
iluminava  todos os caminhos.

E eu disse  “tolo”!  à blusa que se abria
à brisa, que assanhava as mentes frias,
cheia da graça dos recantos da alma.

De repente,  nas asas dos seus braços
levado vi-me e, pelos céus abertos,
caírem penas pelos meus pecados.
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*Poeta brasileiro, possui os blogs:
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**Este poema, por causa do seu erotismo e talvez, por isto, ninguém sinta que não tem rimas, tem me rendido muitos elogios e várias publicações.
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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Filmes recentes de Woody Allen (Guido Bilharinho)



Convencionalismo e Irrelevância


 Poucas e Boas

                        O filme Poucas e Boas (Sweet and Lowdown, EE. UU., 1999), de Woody Allen, a respeito de hipotético guitarrista estadunidense de jazz, demonstra competência formulativa e direcional, incidindo aquela nas imaginosas situações vividas pela personagem e esta no domínio da direção. Requisitos, aliás, exigidos de qualquer filme, por mais comercial seja, que é o caso, no qual, tirante os atributos citados, nada mais resta do que passatempo digerível entre selecionada musicalidade e peripécias e extravagâncias nas quais se envolve o protagonista, mercê de forte desorientação vivencial atribuída por Allen, autor da estória, tanto a temperamento caótico quanto à formação desordenada, temperados e liquidificados filmicamente com habilidade e leveza à margem da arte cinematográfica, não, porém, da musical, que exalta e exalça.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Tonho França: o adeus do cais (Nilto Maciel)



(Tonho França)

Eu não deveria iniciar esta crônica com um chavão, mas não temerei a cara feia de ninguém: A Internet é uma maravilha. Pronto, está escrito o chavão. E por que isto?  Porque, não fosse a Internet, eu não teria conhecido dezenas de escritores. Ora dirão os eternos insatisfeitos , muitos não valem nada, não sabem escrever, são uns principiantes. Pois tenho tomado conhecimento de centenas de bons escritores, primeiro na tela do computador, depois em livros. Esta semana foi a vez de Tonho França, que mora em Guaratinguetá, São Paulo, nasceu em 1965, publicou quatro obras e, com outro jovem escritor, Wilson Gorj, criou a Editora Penalux. (No prelo, mais um manuscrito meu. Umas memórias literárias. Porém, isto é assunto para depois).

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O Homem Desoriental - II (Mariel Reis)



(Quadro de Pino Daeni)


Embora o trabalho e os dias
Encham meu espírito de tédio,
E o cansaço de toda a justiça
Perturbe aos meus ouvidos
Com o apelo inútil
De uma tormenta...

Eu repouso no sopro
Que cobre os lírios
Espalhados na sua face.

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sábado, 6 de outubro de 2012

Ungulani Ba Ka Khosa: a África que o Brasil não conhece (Adelto Gonçalves*)




                                                           I
            Enquanto as universidades e editoras portuguesas e brasileiras, praticamente, só estudam e publicam autores africanos lusodescendentes – com as exceções de praxe, na área editorial, como a Editorial Caminho, de Lisboa, que tem tradição na área –, pouco se lê sobre romancistas, contistas e poetas africanos autóctones ou mestiços que utilizam a Língua Portuguesa como meio de expressão. E, no entanto, em poucos anos, se a Língua Portuguesa – a língua do invasor e do colonizador – quiser sobreviver no continente africano – e com ela todo o legado lusófono –, será mesmo dos autores autóctones que dependerá.
           

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Arthur Schopenhauer, máquina de pensar (João Carlos Taveira)




          

Como é sabido, Schopenhauer influenciou muita gente boa nos meios filosóficos, literários e musicais do mundo moderno. Entre suas influências mais marcantes, podemos citar as que exerceu sobre Friedrich Nietzsche, Richard Wagner, Ludwig Wittgenstein, Erwin Schrödinger, Albert Einstein, Sigmund Freud, Otto Rank, Carl Jung, Joseph Campbell, Leon Tolstoi, Thomas Mann, Fernando Pessoa e Jorge Luís Borges.