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domingo, 31 de julho de 2011

Los posesos de Manuel Olmo Aguirre (Nilto Maciel)



Prometi comentar todos os livros que comprei ou ganhei em julho de 2011. Não prometi resenha. Será quase uma notícia. Para dar início à série de breves anotações, escolhi o único volume vindo do exterior: Los posesos y otros relatos, de Manuel Olmo Aguirre. Mandou-o, de presente, o próprio Manuel. Trata-se de produto de El Paisaje Ediciones, Aranguren, Vizcaya, España, 2010. A obra está contida em 285 páginas, com índice no final, dividida em oito partes, num total de 22 relatos.

sábado, 30 de julho de 2011

Estrelas e corujas (Nara Rios)

(Boa Noite, Corujas by Willian-Ramos)

Estrelas.
Brilham tão,
tão longe,
inalcançáveis,
inexplicáveis,
vivem por tanto,
tanto tempo.
Morrem violentamente, lindamente,
corajosamente, e
deixam sua luz, que ainda ilumina por tanto,
tanto tempo.


Livros de julho com promessa de divulgação (Nilto Maciel)


(Uma das estantes de aço, com livros, em minha casa)

Recebi ou comprei, neste mês de julho de 2011, além da revista Renovarte nº 4, os seguintes livros:
- Ao lado do morto, de Fernando Siqueira Pinheiro;
- As mãos mirradas de Deus, de Márcia Barbieri;
- Do avesso, de Renato Tardivo;
- Intramuros, de Astrid Cabral;
- Los posesos y otros relatos, de Manuel Olmo Aguirre;
- Moreira Campos: professor de histórias e de amizade, de Waldy Sombra;
- Novenário de espinhos, de Clauder Arcanjo;
- O jardim foi-se, de Beatriz Alcântara;
- O tatuador de palavras, de Fernando Siqueira Pinheiro;
- Parabélum, de Gilmar de Carvalho;
- Poltrona 27, de Carlos Herculano Lopes;
- Tesselário, de Geraldo Lima.

Prometo dedicar algumas linhas neste blog a cada um deles. Não serão ensaios ou artigos. Não chegarão a ser resenhas. Não disponho de mais tempo (apesar de aposentado há dez anos) para esmiuçar os livros que leio. Além do mais, meu blog é lido por um número pequeno de amigos (mais de 100, menos de 500). Não sei precisar. Sendo assim, direi apenas se gostei ou não gostei. Para completar, transcreverei trecho de orelha ou prefácio (ou de texto publicado em jornais, revistas e blogs), para que o leitor se entusiasme ou não a conhecer a obra. Para não melindrar meus amigos, não misturarei alhos com bugalhos, isto é, os livros serão apresentados separadamente, um de cada vez.
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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Márcio Catunda ao redor do mundo e da poesia (Nilto Maciel)


(Márcio Catunda)

Meu amigo Márcio nasceu em 57. Uns meses antes daquela Copa do Mundo de Futebol que expôs, ao mundo e à história, Pelé, Garrincha, Didi e outros semideuses da bola. Naquele tempo, eu vivia a jogar bola nas calçadas e no meio da rua. Dentro de casa, com meus irmãos Ailton e Edinardo, sentia-me um deus a manipular botões, com nomes de gente, sobre um tabuleiro. Nem pensava em literatura, letras, livros. Catunda engatinhava (e eu não via). Aprendeu a balbuciar (e eu não ouvi). Quando deu os primeiros chutes, eu não me interessava mais por bolas e botões. Adolescia, mirava meninas e rabiscava versos e frases. E andava só, pelas ruas de Fortaleza, querendo ser gente.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Outra vez (Mariano Shifman*)

(Tradução: Ronaldo Cagiano)


A festa dos suores irrompe em teu sonho
entre o aqui e o agora rege o desconcerto.

Há gritos como pássaros sobre tua pele
e pupilas da aurora sobre tuas pupilas.

Há espuma e tremor em teu segredo
e uma alquimia de ardores e de mel.

É a vertente da vida sempre
apelando-te outra vez.
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*Nasceu em Lamas de Zamora (1969), onde vive. Formado em Direito, tem publicações em diversas antologias e revistas literárias. É autor de “Punto Rojo” (De Los Cuatro Vientos Editorial, 2005), que obteve o 1º lugar no XI Certame Nacional de Poesia e Narrativa; e “Material de interiores” (2010).

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Cantos do Outono (Silmar Bohrer)



Os ares embalsamados
pelas doçuras do outono,
tico-ticos dando o entono
de cantores inspirados.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A ficção de Ângela Calou (Inocêncio de Melo Filho)



É com o livro Eu tenho Medo de Górki e outros Contos que Ângela Calou estréia em nossa literatura, confirmando ser ela o milagre mais recente do conto Cearense. Seus textos são bem tecidos e lhe permitem usufruir do espaço pertencente a Joyce Cavalcante e a Tércia Montenegro. Nesta obra de estréia já podemos identificar dizeres acertados que norteiam o início de uma fortuna crítica manifestada nas orelhas do livro e no prefácio, tendendo ampliar-se a partir das novas leituras que hão de ser feitas pelos estudiosos e críticos literários. Justificando o que estou a dizer, Pedro Salgueiro assim se expressa: “Ângela calou, em seu belo e pungente Eu tenho Medo de Górki & outros contos, nos traz histórias cativantes, ternas e instigantes ao mesmo tempo. Contos bem ditos sem serem comportados. Com leveza vai tecendo suas tramas, com inventividade vai nos cativando linha a linha, parágrafo a parágrafo, conto a conto. Sabe como dizer e, principalmente, tem o que nos contar. Não nos sentimos enganados com (apenas) as pirotecnias dos falsos inventores, tão em moda nos nossos tempos. Tércia Montenegro de forma acertada nos revela: ‘Ângela sabe qual o seu papel de criadora: aceita mexer nas formas estáveis, não se satisfaz com convenções. Cada uma de suas histórias é um gesto libertador, uma espécie de ultrapassagem. A escrita não se define “pela técnica dos dicionários”: procura sua própria medida de linguagem, seus feitios de modelar o texto, figurá-lo como vida literária”.

Adelto Gonçalves no Centro Lusófono Camões

Adelto Gonçalves é indicado assessor do Centro Lusófono Camões de São Petersburgo

 (O professor Adelto Gonçalves (D) faz entrega de livros a Boris Tikhomirov (E), vice-diretor do Museu Dostoievski em São Petersburgo)


O jornalista e escritor Adelto Gonçalves, professor de Língua Portuguesa do curso de Direito da Universidade Paulista (Unip) e de Jornalismo da Faculdade de Artes e Comunicação (FaAC) da Universidade Santa Cecília (Unisanta), de Santos-SP, foi indicado assessor de imprensa e cultural do Centro Lusófono Camões da Universidade Estatal Pedagógica Hertzen, de São Petersburgo, na Rússia. A indicação foi feita pelo diretor do Centro, Prof. Dr. Vadim Kopyl, durante visita, no começo de julho, do professor brasileiro a São Petersburgo.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Ser escritor (Francisco Miguel de Moura)

Escritor brasileiro

Que é ser escritor? Eis uma questão que gostaria de discutir em termos elevados, na sua parte intelectual, ética, espiritual, e não apenas no que se atém à matéria.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Coisas Engraçadas de Não se Rir VIII: O Casamento Real



Ora, bolas, “casamento real” mesmo é o nosso, o da plebe trópico-rude, esse mega-espetáculo meide in englande que dizem parecer com conto de fadas, de fato, não só parece como o é, ou seja, é um troço para inglês ver!

Malindrânia: relatos urbanos entre o surrealismo e o fantástico (Aíla Sampaio)

(Publicado originalmente no sítio “Ensaios de Literatura e Arte”: http://litebrasil.blogspot.com/)


 
Malindrânia (Topbooks, 2010), livro de relatos do escritor cearense Adriano Espínola, traz 18 narrativas a que o poeta denomina de relatos, fugindo da rotulação dos seus textos como contos. Com livros de poemas publicados e bem recebidos pela crítica, como Fala, favela (1981), Em trânsito (1996) e Beira-Sol (1997), entre outros títulos de igual relevo, Adriano Espínola envereda pela narrativa curta com proposta estética muito própria, transitando entre o surrealismo e o fantástico, formas simbólicas de retratar a cidade contemporânea sem descrições clichês.

domingo, 24 de julho de 2011

Um Homem e Seus Poemas em Tradução Primorosa (João Carlos Taveira*)

(Ático Vilas-Boas)


Em todas as artes podem ser encontradas com certa facilidade duas vertentes categóricas: a de jovens gênios que, numa idade mais avançada, se apagam completamente para a criação, e a de artistas maduros que ignoram o passar do tempo e continuam criando obras de grande vigor estético talvez até mais transgressoras do que aquelas do tempo de juventude. Os exemplos são muitos. E em todos os segmentos. A título de ilustração, tome-se como exemplo apenas um nome da história da música: Giuseppe Verdi, o gênio da ópera italiana que viveu 88 anos e construiu uma das obras mais altas e coerentes de que se tem notícia, produzindo verdadeiras filigranas da música lírica até o fim da vida.



sábado, 23 de julho de 2011

Comentários ao artigo “Literatura de violência e literatura de baixo nível”

 
De Carlos Trigueiro:
Oi, Maciel, muito bom o artigo "Literatura de violência...". Aliás, tempos atrás, quando te enviei o artigo do Pécora, algo me dizia que haveria sintonização com o desenvolvimento das tuas ideias.


Comigo (Inocêncio de Melo Filho)

Para Fernanda Guerra


 
Por que és tão linda?
Por que tens o rosto da santa
Que me contemplou na infância?
Por que não vens comigo
Acordar o novo dia?
Por que não me acolhes
Entre as tuas mãos?
Por que foges de mim
Quando lhe destino meu olhar?
Por que não me deitas
Na brancura do seu corpo
Para que eu desperte refeito?...
Indago a mim
Com os olhos fixos em seu retrato
Insubmisso às ações do tempo.
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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Capitu e Escobar (W. J. Solha)



Ele chegou à casa de Bentinho ao anoitecer, mas foi Capitu quem o recebeu e o livrou da bengala, valise, chapéu-coco (as luvas dentro), dizendo que os criados já se haviam recolhido e que o marido fora sozinho ao teatro, como previsto (ante o argumento, dela, de que não se sentia bem). Ficaram os “cunhadinhos” – como gostavam de se alcunhar – livres para o balanço do pecúlio que, em segredo, a senhora Capitolina Pádua Santiago amealhava e o amigo convertia em libras.

Púrpura (Ronaldo Monte)



Velhice também é cultura. Um dia desses fui a uma dermatologista dar uma geral na lataria e aprendi que aquelas manchas avermelhadas que apareceram em minha pele atendem pelo nome poético de púrpura senil. De repente, passei a ter a maior admiração por essas testemunhas inexoráveis do passar do tempo em meu corpo.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Literatura de violência e literatura de baixo nível (Nilto Maciel)


Inicio este comentário com uma citação longa, de Alcir Pécora, em “Impasses da literatura contemporânea”: “Quem critica parece um vilão, um estraga-prazer, um intrometido. Quem critica as obras, ainda mais se faz isso com argumentos insistentes, tem qualquer coisa de indecente, de impróprio. Mas, por vezes, a insistência chata é fundamental para pensar um pouco melhor. Não se vai muito longe com um discurso que não admite contraditório, com um discurso de animação de parceiros. Mesmo em casos de parceria, sem alguma disposição para encarar a desafinação, não se vai longe: nessas condições, não há orquestra capaz de desconfiar de si mesma e exigir mais de seus membros. Espanta, pois, ver a intolerância para a crítica, como se fosse alguma traição pessoal. De onde vem essa ideia de parentesco traído? Pessoalmente, não vejo por que o crítico tem de ser animador, parceiro, divulgador ou chancela do escritor. Ele tem de apontar problemas no objeto, pois são problemas do objeto o interesse principal da arte, como da literatura”.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Realizar (Pedro Du Bois)


Realizo o sonho ao destino
ofertado. Retiro a irrealidade
e a contemplo em matéria
rio do segredo
descubro
avanço o tempo
à semeadura
e retorno em colheitas
a casa serve ao senhor
o estio ao crescimento da planta
depois do cultivo
sobre a terra
em inundações lavo a sombra
da irrealidade. Deposito
diante do homem
a sobra na satisfação
do todo.
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A literatura do avesso de Renato Tardivo* (Daniel Franção Stanchi*)



A tela do avesso, o avesso da tela

Do avesso (Com-Arte, 2010) é o livro de estréia de Renato Tardivo. Neste livro, composto por dezenove textos, Renato nos cumprimenta com uma belíssima epigrafe: “Só há um único destino àquele que viaja: o futuro do pretérito”.

Tal como Paul Celan, o poeta romeno, nos diz que a poesia é como um aperto de mãos e que somente mãos verdadeiras escrevem poemas verdadeiros: Renato Tardivo nos brinda com esta epigrafe-aperto-de-mãos que não só profetiza o que virá, mas nos revela o tom cíclico e oracular do qual a literatura de Renato se faz testemunha silenciosa. O fim é o começo, o começo é o fim. Mas que tem a literatura a ver com isso e, mais especificamente, a literatura de Renato Tardivo?

terça-feira, 19 de julho de 2011

Aquiles (Emanuel Medeiros Vieira)


À vida calma, optou pela guerra: Aquiles.
Tétis, tua mãe, matava seus filhos querendo imortalizá-los,
mas quando nasceu o sétimo, resolve banhá-lo no Rio Stix,
segurando-o pelos calcanhares:
seu corpo não é mais vulnerável
(fica apenas com um único ponto fraco).

Estátua (Carlos Nóbrega)



A minha ruga da raiva
risca meu rosto de rusga
A minha ruga da dúvida
risca meu rosto de busca.
A minha testa é um texto
que escreve e apaga meu susto
Sim eu tenho esse rosto
que enquanto existe é meu busto
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segunda-feira, 18 de julho de 2011

O amigo dos anjos (Pedro Salgueiro)

(José Alcides Pinto)


"Apago o incêndio do olho
com um simples gesto da mão.
Ando com minha bengala:
a perna esquerda mecânica.
Sou o fantasma de minha rua.
O aleijado mais trágico do meu país.
Ninguém me ama
mas sou amigo do Anjo.
Não negocio a paz do morto
nem o silêncio do meio-dia.
Caminho à sombra de Deus.
O sol me ilumina.
Durmo todo o inverno, à beira dos rios.
Acordo no estio com o canto das cigarras.”
(José Alcides Pinto)

domingo, 17 de julho de 2011

No nukes! (Teresinka Pereira)


É possível imaginar um mundo
sem plantas nucleares? Seria
um pânico a menos no ar. Seria
a tranquilidade de saber
que a vida pode seguir
em seus hábitos normais
em segurança e paz. Seria
esperar que os sinos tocassem
para enterrar os mortos
de um a um e não aos milhões
em fossas comuns... Seria
deixar que cada recém-nascido
nos trouxesse uma nova esperança
para fazer um mundo melhor.


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sábado, 16 de julho de 2011

Passagem do tempo: lembranças (Tânia Du Bois)



“... o que parou no passado: / tenras lembranças, sentidas / Que na vida transitória / Lá no fundo da memória / A gente tinha guardado”. (Tenebro dos Santos Moura)
A passagem do tempo é uma releitura dos fatos da nossa história. São tantos os acontecimentos que, por vezes, lembramos como, onde e quando aconteceram. Outras vezes, se revelam em desordem que solapa a memória. Como em Carlos Pessoa Rosa: “... sabemos como a memória traz a tona recalques cuja existência muitas vezes ignoramos e que poderá turvar ou distorcer o que tínhamos como certo...”

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Adriano Espínola e a beleza das arraias no céu (Nilto Maciel)

(Adriano Espínola)

Passei grande parte da vida a girar em torno de mim mesmo, mãos na linha que empinava pipas coloridas, olhos no céu sem nuvens e nos urubus. Quando conheci Adriano, meu mundo girava em torno de um saco de papel. Era 1976 e preparávamos o nascimento da revista O Saco. Um dia, saímos, Carlos Emílio e Jackson Sampaio, à cata de gênios nos pátios da Universidade Federal do Ceará. E vimos um sujeito desgrenhado, calças frouxas, a carregar um matolão de livros. Quem é este doido? Apresentaram-me o estranho. Formado em letras no ano anterior, Adriano dava aulas na jovem Unifor (Universidade de Fortaleza). Só isso? Não, isto é só a casca. Lembrei-me da cantiga de Reis: “Esta casa está bem feita / Por dentro por fora não / Por dentro cravos e rosa / Por fora manjericão”. Carlos e Jackson completaram: Este é o melhor poeta cearense da nova geração. Tem livro? Ainda não.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Vocação de escritor: a essência da escrita de Vasto Mundo (Reyvaldo Vinas)

(Alaor Barbosa)

Ouvi do poeta Affonso Romano de Sant’Anna, na ocasião em que editava seu livro A sedução da palavra, publicado pela Letraviva, uma afirmação no mínimo incômoda: o verdadeiro escritor é aquele que, se deixar de escrever, para de respirar.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

O avesso das coisas (Eduardo Sabino*)


Com Do avesso (ECA-USP, 2010), Renato Tardivo estreia na literatura. O livro reúne 19 contos, as narrações divididas entre a primeira e a terceira pessoa (nesse caso, com o uso constante do discurso indireto livre). Os textos são muito breves, concisos, e buscam a captação de paisagens interiores. Mesmo as descrições ambientais refletem, em algum nível, o comportamento e a personalidade dos personagens.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Vivoratá, 1975 (Mariano Shifman*)

(Tradução: Ronaldo Cagiano)



Antes da primeira água
– nos umbrais de minha areia –

antes de padecer a mais-valia
do tempo almanaque

antes que chegasse a fadiga
de uma paixão qualquer

o amparo de uma nuvem pura
de segredos, tapete do sol

antes da morte de Deus
ainda antes de que Deus existisse

Vivoratá.

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*Nasceu em Lamas de Zamora (1969), onde vive. Formado em Direito, tem publicações em diversas antologias e revistas literárias. É autor de “Punto Rojo” (De Los Cuatro Vientos Editorial, 2005), que obteve o 1º lugar no XI Certame Nacional de Poesia e Narrativa; e “Material de interiores” (2010).
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segunda-feira, 11 de julho de 2011

Subindo pelas paredes (Alexandre Marino)


Sempre que leio um livro de Sérgio Sant´Anna lembro-me de meu professor de redação e edição de textos, escrevendo nas paredes de nossa sala no Departamento de Comunicação da Universidade Católica de Minas Gerais. Sim, nas paredes: o prédio era novo e ainda não havia sido pintado. Ele preenchia o espaço do quadro negro (naquela época, ainda se usava giz) e, para não apagar, continuava escrevendo nos quatro cantos da sala. Ao fim da aula, a sala parecia coberta de tatuagens, como as que adornam o corpo de Jana, personagem de O livro de Praga, que Sérgio acaba de lançar pela Companhia das Letras.

domingo, 10 de julho de 2011

Oleg Almeida: poeta e tradutor bilíngue


Oleg Almeida é considerado "poeta de dois mundos" (Marco Lucchesi). Nascido em 1º de abril de 1971 na Bielorrússia, uma das repúblicas ocidentais da então União Soviética, ele ganhou certa projeção nos meios artísticos do país natal e, vindo ao Brasil com 34 anos de idade, adotou o português como língua de criação literária. Seu livro de estreia, romance poético Memórias dum hiperbóreo, foi lançado pela Editora 7 Letras em 2008 e mereceu elogios de vários intelectuais e poetas lusófonos. Seu novo livro Quarta-feira de Cinzas e outros poemas, também publicado pela 7 Letras (2011), está "entre as melhores propostas poéticas brasileiras do século XXI", segundo o autor do prefácio, Cláudio Murilo Leal.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Dos ventos (Silmar Bohrer)



1
E ouçooventouivando
nas vacarias do mar,
vamos juntos silabando
uma cantiga em cismar.


2
A cadeira anda agitada
ao sabor dos bons ventinhos,
às vezes, em desabalada
ela dá alguns pulinhos.


3
Andam solapando os beirais
esses ventinhos noturnos,
lúgubres, quase soturnos,
gemem tristíssimos ais.

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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Parabélum: expectativas heroicas de nós, leitores (Nilto Maciel)


Não sei quando se iniciou a impressão do Parabélum. Terá sido em 76? Ou 77? Não sei também quando me encontrei com Gilmar de Carvalho, na Praça do Ferreira (manhã ou tarde?), e ele, muito feliz, anunciou: Nilto, meu romance está quase pronto. Dias ou meses depois, obtive (não sei se comprei ou ganhei) um exemplar da obra, que li bem devagar, tomado de estupefação. Ora, ora, aquilo era um monumento de ouro.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Subverso (Raymundo Netto)


Horas. Horas. Horas.
Insistia o relógio na parede: desista, homem!
A manhã sobranceirava à ruína da caneta embotada há tempos.
Imerso num oceano de sem-ideias, o gramático se rendia à evidência:
“Não consigo escrever... Logo eu?”

terça-feira, 5 de julho de 2011

A chave do tamanho (W. J. Solha)



As obras de arte às vezes nos levam a Lilliput, às vezes a Brobdingnag. O que importa é se são perfeitas.
Sobre os poemas de Sérgio de Castro Pinto foi dito que são claros, ágeis, nítidos, suficientes (Câmara Cascudo); escritos com maestria e senso de humor (Ferreira Gullar); têm uma concisão que beira com frequência a lapidaridade (José Paulo Paes); coisa de quem monta o mundo em pelo (Lygia Fagundes Telles); têm o dom de captar o incaptável e de ver o invisível (Hildeberto Barbosa Filho); são a reinvenção da metáfora (José Louzeiro); obra de um poeta com astúcia verbal (Fábio Lucas).

O homem eterno (Henrique Marques-Samyn*)

(leitura de um poema de Francisco Carvalho)



(Pablo Picasso, Portrait d'homme barbu, 1895)

Retrato para ser visto de longe

Sou um ser, o outro é metade
que não sabe de onde veio.
Sou treva, sou claridade.
Solidão partida ao meio
e entre os dois a eternidade.

Sei quem sou, não me conheço.
Parado, estou sempre indo
para um país sem regresso.
Sou fonte e estou me esvaindo,
fluir sem fim nem começo.

Coração partido ao meio,
pulsando em cada metade.
O lirismo do espantalho
a espuma do devaneio.
Entre os dois a eternidade.

(de Pastoral dos Dias Maduros, 1977)

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Roteiros de Nirton Venâncio (Nilto Maciel)



(Nirton Venâncio)

Quando vivia em Brasília, quase nunca eu via Nirton. Após o meu regresso ao Ceará, estive com ele duas ou três vezes lá, e outro tanto aqui. Numa das vindas dele, marcamos encontro em hotel à beira-mar, onde se hospedavam cineastas, atores, atrizes, participantes de um festival de cinema aqui. Pus-me a andar pelo hall. Todos os sofás ocupados. Gente de todos os tipos para lá e para cá. Sentia-me um ser estranho. E era. Vontade de sair logo dali, ver pessoas comuns. Recostei-me a uma pilastra. Por que Nirton não aparecia logo? E apareceu. Fizemos as perguntas possíveis e necessárias. Entretanto, não podíamos conversar, tal a algazarra. Por que não vamos tomar uma água de coco? E saímos do hotel. Atravessamos a avenida e nos sentamos em cadeiras de uma barraca. Nirton se disse cansado e solitário. E com saudades do Ceará. Quero voltar, Nilto. Chupei o líquido do coco e vaticinei: Você não voltará. Ele se assustou e, como se o acusassem de crime hediondo, se defendeu: Preciso voltar. Quero viver o resto da vida aqui. Fui áspero: Não conseguirá. Por quê? Porque tem filhos. São crianças, sim, mas têm raízes, amigos. E, quando crescerem, serão pais. Isto é, você será avô. Estará irremediavelmente preso à terra onde eles nasceram e cresceram.

domingo, 3 de julho de 2011

Alaor Barbosa: a universalidade do sertão (Mário Jorge Pechepeche)

(Alaor Barbosa)

A incursão crítica abrangendo todo o copioso cenário perspicaz e arguto dos livros de Alaor Barbosa será impelida inexoravelmente a uma amplificação gigantesca do uso do arsenal de análise literária. O conjunto de inumeráveis configurações e subsídios gerados pela leitura de seus livros obriga, por suas faces multifacetadas, que o estudioso ultrapasse o que seria apenas um rito de visão imediata e contida para desdobramentos dialéticos da extensão de observatório de letras.

sábado, 2 de julho de 2011

Fundamentos da arte poética

Entrevista com o escritor, editor e poeta João Carlos Taveira. Por Marco Polo*.

(João Carlos Taveira)

O poeta João Carlos Taveira, nascido em Caratinga, MG, reside em Brasília desde 1969. Ao longo dos anos, tem participado de vários movimentos culturais, contribuindo ativamente com suas ideias e ações para a consolidação de algumas das mais importantes entidades literárias da Capital da República. Com formação em Letras Neolatinas, trabalha atualmente como revisor, copidesque e conselheiro editorial. Tem publicados os seguintes livros de poesia: O prisioneiro (1984), Na concha das palavras azuis (1987), Canto só (1989), Aceitação do branco (1991), A flauta em construção (1993) e Arquitetura do homem (2005). Participa com seus poemas de várias antologias nacionais e estrangeiras e figura no Dicionário de Escritores de Brasília, de Napoleão Valadares, no Dicionário de Poetas Contemporâneos, de Francisco Igreja, e na Enciclopédia de Literatura Brasileira, de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa. Pertence à Academia Brasiliense de Letras, à Associação Nacional de Escritores e ao Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal. Em 1994, recebeu do Governo do Distrito Federal a Comenda da Ordem do Mérito Cultural de Brasília, pela relevância de serviços prestados à comunidade artística e cultural.



sexta-feira, 1 de julho de 2011

A grande alma de Ivo Barroso (W. J. Solha)


No dia 20 próximo passado, depois de reproduzir no seu blog “Gaveta do Ivo”, um belo texto que ele próprio publicara em maio de 2007 na Folha de São Paulo - “Duras: A Doença Mortal de Escrever” - Ivo Barroso acrescentou:

A transcrição deste artigo vem a propósito de uma esperada edição de O Amante, que acaba de ser reeditado pela Cosac Naify em tradução de Denise Bottmann – selo de qualidade de qualquer tradução, seja ela técnica ou literária. Denise costuma dizer que não gosta de traduzir literatura, mas quando o faz é com resultados irrepreensíveis, como neste caso.


Ao que é comum a nós (Inocêncio de Melo Filho)



Adélia prado
Li suas indagações
Elas agora são minhas:
Eu sou poeta? Eu sou?
Que me venha uma resposta verdadeira
Esgotando a dúvida que se fez no tempo
Que embranqueceu os nossos cabelos...
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