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quarta-feira, 31 de outubro de 2012
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Ganga bruta (Guido Bilharinho)
A Obra-Prima de Humberto Mauro
Se de filme para filme
amplia-se e solidifica-se o domínio de Humberto Mauro (Volta Grande/MG, 1897–1983) sobre o entender e o fazer
cinematográfico, em Ganga Bruta (1932)
esse aprimoramento atinge sua plenitude, revelando cineasta perfeitamente
consciente do fenômeno cinematográfico.
A força do silêncio de Mariel Reis (Daniel Osiecki)
O ato de escrever é solitário e
silencioso. O ato da leitura também exige silêncio. A complexa prática da
leitura exige um silêncio externo, mas internamente, quanto mais inquietos
permanecermos durante a leitura, melhor. Esse silêncio metafísico oprime o
verdadeiro leitor, mas não é uma má opressão, antes uma opressão que leva à reflexão,
e é isso que importa. Portanto, não basta haver silêncio pura e simplesmente,
mas um silêncio rangente e intimista. Elementos que não se aplicam apenas à
literatura, mas (principalmente) à vida.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Franchetti: o poeta e suas influências (Adelto Gonçalves*)
I
Professor
titular de Literatura da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e autor de estudos
críticos sobre a poesia brasileira, o romance oitocentista em português e o
exotismo, com destaque para os ensaios sobre Camilo Pessanha (1867-1926), Paulo
Franchetti vem construindo também, ao longo dos últimos anos, uma trajetória
poética de respeito, marcada por uma cosmovisão que se tem mantido coerente,
baseada na cultura clássica, mas saudavelmente contaminada pelo bom gosto de
alguns nomes representativos da poesia brasileira do século XX.
sábado, 27 de outubro de 2012
Sebos (Emanuel Medeiros Vieira)
Em memória de Eric Hobsbawm
“Não creio que haja coisa pior no mundo do que a leviandade,
pois os homens levianos são instrumentos prontos a tomar qualquer partido, por
mais infame, perigoso e pernicioso que seja; sendo assim, é melhor fugir deles
como se foge do fogo”. (Francesco Guicciardini)
Bibliotecas, museus, sebos, cheiro de papel.
Nada me dizem os aparelhos eletrônicos de última geração – e
logo virão outros.
Nostalgia, passadismo?
Eis a memória do mundo.
Essa é a “modernidade” que nos foi dada?
(Que palavra é essa?)
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Da leitura de Ádlei, Cagiano, Whisner e Kelmer (Nilto Maciel)
Ganhei,
recentemente, três livros. Como não me sinto mais disposto a resenhar tudo o
que leio, darei apenas notícia deles. Um registro, como faziam os antigos.
Dolor Barreira (1893 – 1967),
o maior historiador da Literatura Cearense, se valeu muito desse tipo de anotação,
para construir o monumento de quatro grossos volumes intitulado História da Literatura Cearense. Não
tenho tais pretensões. Sobretudo, porque não me confino à província de José de
Alencar.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
O Nada (João Soares Neto)
Eu
não sou um guarda-chuvas. Sou uma guarda-nada. O nada é o que prefiro guardar,
escrever, ler e sentir. Se fosse um guarda-chuvas protegeria alguém, mas como
sou um guarda-nada a quem posso proteger?
No
meu nada estou incluído, dele vim e a ele voltarei. Leia as belas frases de
Clarice, mas eu sou eu e o nada está por perto. Sempre mais perto do que o
tudo. E chove. Estou sem guarda-chuvas e não sinto nada. O nada é também uma
expressão de sentimento. E a água que me afaga também pode me afogar. A
diferença é um nada. Veja como um nada faz a diferença.
Não,
esta conversa não é sem sentido. Ela tem começo com a Clarice e belos arranjos
com guarda-chuvas e os meus arranjos são com nada.
Assim,
deixo o nada com você para que coisa nenhuma aconteça.
Não
bebi nada. Não pense que isso é fruto de nada. Não é. E é.
A
decisão é sua ou do nada que sempre nos acolhe ou encolhe, virando quase nada, um nadinha.
Se
você não entendeu o que escrevi. Nada contra.
/////
Caso o tempo decida (Clauder Arcanjo)
Para Lustosa da Costa
(In memoriam)
Caso o tempo decida
Enterrar os ponteiros esquivos,
Ou pintar de branco os
segundos,
Pensarei em deixar o hiato de
mim,
A solfejar, quem sabe, a sonata
final.
Caso o tempo decida
Abandonar os segredos
insepultos,
Ou lambuzar de cinza as horas,
Deixarei, à sorrelfa, o
espectro de mim,
A tartamudear, você sabe, a
praga outonal.
clauderarcanjo@gmail.com
/////
terça-feira, 23 de outubro de 2012
A Hora Certa (há a hora certa?) (Tânia Du Bois)
“... são os sonhos que garantem a paciência
suficiente para aguardarmos a próxima hora...” (Lígia A. Leivas)
O relógio marca a hora certa. Norteia o tempo. Tempo de quem? Há a hora certa?
Jorge Tufic reflete que “A hora. Quem / sabe da hora que / os relógios /
deixam de ver?...” Hora certa, para quê, se o tempo exclui o relógio. O
mais interessante é tratar do tempo como questão singular: sistemas de valores
e modo de vida. Como diz Manoel de Barros, “Não atinei até agora porque é
preciso andar tão depressa. / Até há quem tenha cisma com a lesma porque ela
anda muito depressa. / Eu tenho. / A gente só chega ao fim quando o fim chega!
/ Então prá que atropelar?”
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Uma leitura poética da natureza (João Carlos Taveira)
Lançado recentemente em Brasília, o livro As Árvores Falam (Ed. Movimento, 2012),
de Eugênio Giovenardi, vem comprovar a vocação inequívoca de seu autor para os
assuntos relacionados com a Natureza, o meio ambiente e, enfim, a vida no
planeta Terra. Ambientalista e estudioso do cerrado há quase quarenta anos,
Giovenardi não descuida não só do presente (tão ignorado) como também — e
principalmente — do futuro de nossos descendentes (tão comprometido e incerto).
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